
Entre outubro e janeiro, milhões de caranguejos vermelhos (Gecarcoidea natalis) deixam a floresta da Ilha Christmas, na Austrália, e seguem em direção ao oceano em um movimento coletivo que mobiliza toda a região. A travessia é tão intensa que foram construídas estradas e pontes específicas para proteger os animais do tráfego.
A migração depende de condições muito específicas. Os caranguejos só iniciam o deslocamento após a chuva e precisam chegar ao mar antes do amanhecer, durante a maré alta em recuo no último quarto da lua. A combinação desses fatores define se o percurso será mais rápido ou prolongado.
Os machos chegam primeiro ao litoral e passam a cavar tocas, frequentemente disputando espaço entre si. A competição tem um objetivo claro: as fêmeas, que chegam depois em maior número, escolhem onde irão acasalar, avaliando as tocas disponíveis.
Após o acasalamento, as fêmeas permanecem nesses abrigos por um período que varia de alguns dias a semanas, enquanto desenvolvem os ovos. Cada uma carrega cerca de 100 mil ovos e precisa liberá-los no mar. Como são caranguejos terrestres que não nadam, a aproximação das ondas representa um desafio.
No momento da desova, a concentração pode chegar a até 100 caranguejos por metro quadrado na faixa costeira. As fêmeas aguardam o instante ideal, quando a maré alta começa a recuar pouco antes do amanhecer.
Nesse momento, elas liberam os ovos na água, que pode escurecer com a quantidade lançada. O contato com o mar faz com que os ovos eclodam imediatamente, sendo levados pela maré para áreas mais profundas.
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