Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 15 de abril de 2026 · 2 min de leitura ·

Mapa 3D do cosmos é concluído e pode reescrever o que sabemos sobre energia escura

Mapa 3D do cosmos é concluído e pode reescrever o que sabemos sobre energia escura

O maior mapa 3D do Universo já criado ficou pronto. O Instrumento Espectroscópico de Energia Escura (DESI), instalado no telescópio Nicholas U. Mayall, no Arizona, concluiu na terça-feira (14) sua missão de cinco anos para mapear o cosmos e investigar a energia escura — a força invisível que está acelerando a expansão do Universo. E o feito veio antes do previsto.

Equipado com 5 mil sensores de fibra óptica, o DESI superou todas as expectativas. Os cientistas esperavam observar cerca de 34 milhões de galáxias e quasares quando o instrumento começou a operar em maio de 2021. No final, foram 47 milhões — um aumento de seis vezes em relação a levantamentos anteriores. Além disso, o telescópio também capturou mais de 20 milhões de estrelas próximas.

“O DESI superou as expectativas. Não estava nada claro que conseguiríamos isso anos atrás”, disse Klaus Honscheid, cientista-chefe de operações do instrumento e professor da Universidade de Ohio, em entrevista ao Space.com.

Descoberta no fim dos anos 1990, a energia escura é apenas um nome provisório para o fenômeno que está afastando as galáxias umas das outras em ritmo cada vez mais acelerado. Ela representa cerca de 70% de todo o conteúdo do Universo — mas ninguém sabe o que ela é.

O modelo padrão da cosmologia, conhecido como Lambda de Matéria Escura Fria (LCDM), prevê que a energia escura deveria ser constante, sem variações ao longo do tempo. Porém, os primeiros dados do DESI, baseados no primeiro ano de observações, já haviam sugerido algo estranho: a energia escura pode estar enfraquecendo.

Se confirmado com o mapa completo de cinco anos, isso representaria uma revolução. “Esta pode ser a descoberta mais interessante em cosmologia desde a própria energia escura”, afirmou Nathalie Palanque-Delabrouille, colaboradora do DESI e cientista do Laboratório Berkeley.

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