
A lua Fobos, uma das duas que orbitam Marte, pode começar a se desintegrar mais cedo do que estimativas anteriores indicavam, segundo um novo estudo publicado na revista Astronomy & Astrophysics. A pesquisa sugere que o destino do satélite natural depende diretamente de sua estrutura interna — se é um corpo sólido ou um aglomerado de fragmentos.
O trabalho foi conduzido por cientistas do Observatório da Côte d’Azur, na França, que simularam diferentes cenários para a evolução da lua marciana. Os resultados apontam que Fobos pode começar a perder material ainda mais distante de Marte do que se pensava, o que antecipa o processo de destruição e a eventual formação de anéis ao redor do planeta. A hipótese foi publicada na revista Astronomy & Astrophysics.
Fobos é a maior e mais próxima das duas luas de Marte — a outra é Deimos. Com dimensões de aproximadamente 27 por 22 por 18 quilômetros, o satélite está a cerca de 9.400 quilômetros do centro do planeta, distância suficiente para provocar eclipses solares, apesar de seu tamanho reduzido.
Essa proximidade coloca Fobos dentro do chamado Limite de Roche, uma região em que a gravidade do planeta pode fragmentar corpos menores. Se fosse composta por material líquido, a lua já teria se desintegrado. No entanto, por ser sólida — ao menos em parte —, ainda resiste.
Os pesquisadores testaram um cenário em que Fobos não é um bloco único, mas sim uma “pilha de escombros”, semelhante a asteroides como Bennu e Ryugu, ou ao sistema binário Didymos e Dimorphos.
Atualmente, Fobos está a uma distância média de 2,76 raios marcianos. Nesse modelo, a lua começaria a se romper já a 2,25 raios marcianos, e sua destruição completa ocorreria a cerca de 2,03 raios marcianos — o equivalente a 6.682 quilômetros do centro do planeta.
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