
Entre as décadas de 1970 e 1990, a ação humana predatória fez com que elefantes africanos parassem de desenvolver suas presas, segundo um novo estudo publicado na última quinta-feira (22) no jornal científico Science.
Conduzido por uma equipe internacional de pesquisadores liderada por Shane Campbell-Staton, biólogo da Universidade de Princeton, junto de especialistas na vida selvagem africana, o estudo analisou o período entre 1977 a 1992 – auge de guerras civis no Moçambique e do aumento no volume de caça destes animais – bem como o reflexo destas ações nos dias atuais.
Durante o período referido, ambos os lados dos conflitos armados passaram a caçar elefantes de forma desenfreada, a fim de extraírem suas presas de marfim e vendê-las como marfim no mercado paralelo. O dinheiro obtido era usado para comprar mais armamento e contratar mercenários para as guerras.
Segundo os dados coletados, cerca de 90% dos elefantes que viviam no que hoje corresponde ao Parque Nacional de Gorongosa morreram nas mãos de caçadores.
As fêmeas que sobreviveram, conta Campbell-Staton, eram as que não tinham presas. Como isso as “protegia” dos caçadores, essa característica genética “benéfica” à espécie foi passada de geração para geração. Antes dos conflitos, o cientista estima, menos de um quinto dos elefantes não tinha presas.
A adaptação genética foi tanta, inclusive, que não apenas as mães passavam essa característica para seus filhotes, mas também a maior parte desses filhotes – mais ou menos 50% – eram fêmeas, a fim de que elas, quando atingissem a maturidade, continuassem “não criando” presas e preservando a espécie.
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