Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 18 de maio de 2026 · 2 min de leitura ·

África pode estar se dividindo ao longo de nova falha geológica ativa na Zâmbia

África pode estar se dividindo ao longo de nova falha geológica ativa na Zâmbia

Um artigo publicado este mês na revista Frontiers in Earth Science revela que assinaturas incomuns de hélio encontradas em fontes termais da Zâmbia podem ser evidências de uma rachadura tectônica em atividade sob o sudoeste da África, indicando que o continente possa estar começando a se dividir lentamente ao longo de milhões de anos.

O estudo analisou gases liberados por fontes geotérmicas localizadas na chamada Fenda de Kafue, uma extensa estrutura geológica situada na Zâmbia. Segundo os pesquisadores, as amostras coletadas apresentam características químicas típicas de materiais vindos das camadas profundas da Terra, especialmente do manto terrestre, localizado abaixo da crosta.

A descoberta reforça a hipótese de que há um processo de rifteamento em andamento na região. Esse fenômeno acontece quando a crosta terrestre começa a se esticar e se romper lentamente, formando grandes rachaduras. Com o passar de milhões de anos, essas fissuras podem crescer e dar origem a novos limites entre placas tectônicas, alterando a configuração dos continentes e até criando oceanos.

Além das mudanças geológicas de longo prazo, os cientistas afirmam que sistemas de fenda também podem trazer benefícios econômicos importantes. Regiões desse tipo costumam concentrar potencial para energia geotérmica e reservas subterrâneas de gases valiosos, como hélio e hidrogênio, amplamente utilizados em setores tecnológicos e energéticos.

O professor Mike Daly, pesquisador da Universidade de Oxford, na Inglaterra, um dos autores do estudo, explicou que as fontes termais da região apresentam uma ligação direta com o interior profundo da Terra. Segundo ele, os dados indicam que fluidos vindos do manto conseguem atravessar a crosta terrestre e alcançar a superfície por meio da falha geológica de Kafue.

De acordo com Daly, essa conexão subterrânea é um forte sinal de que a falha permanece ativa. Isso também sugere que o chamado Sistema de Rift do Sudoeste Africano pode estar em processo de desenvolvimento, representando um possível estágio inicial da fragmentação da África Subsaariana.

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