
Embora Marte seja um mundo árido e estéril hoje em dia, vários estudos apontam que a água fluía por lá bilhões de anos atrás. Uma nova pesquisa, no entanto, sugere que isso pode ter acontecido durante menos tempo do que se pensava.
Analisando dados coletados pela espaçonave Mars Reconnaissance Orbiter (MRO), da NASA, pesquisadores da Universidade de Utrecht, na Holanda, liderados pela PhD em Geomorfologia planetária Lonneke Roelofs, investigaram as ravinas marcianas (acidentes geográficos geralmente resultantes de erosão pela ação de córregos e enxurradas).
Acredita-se que essas ravinas foram formadas há muito tempo pelo fluxo de água. No entanto, a nova pesquisa sugere que elas podem ter sido esculpidas de maneira diferente, por uma ação explosiva e rápida: a sublimação do gelo de dióxido de carbono.
Isso quer dizer que, ao contrário do que se pensava, a água líquida pode não ter estado presente na superfície de Marte por tanto tempo quanto se imaginava – o que é significativo, tendo em vista que a água é essencial para a vida, e a busca por vida em Marte muitas vezes se concentra na possibilidade de encontrar evidências de água líquida antiga.
De acordo com a nova abordagem, as ravinas na superfície do planeta podem ter sido formadas por processos que não envolveram água líquida, mas sim gelo de dióxido de carbono, principal componente da atmosfera marciana.
Durante o inverno por lá, as temperaturas despencam muito abaixo de zero, fazendo com que o dióxido de carbono se congele na superfície. Quando a primavera chega, esse gelo de dióxido de carbono volta a uma forma gasosa, criando uma espécie de “explosão” que pode esculpir a paisagem marciana.
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