Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 1 de julho de 2022 · 2 min de leitura ·

“Berço da Humanidade” tem fósseis bem antigos do que achávamos

“Berço da Humanidade” tem fósseis bem antigos do que achávamos

Os fósseis encontrados nas Cavernas de Sterkfontein, na África do Sul, são bem mais antigos do que se pensava anteriormente, com um novo estudo datando o material do Patrimônio Mundial da UNESCO como tendo um milhão de anos a mais do que a idade marcada em pesquisas anteriores.

As Cavernas de Sterkfontein são comumente referidas pelo seu nome mais conhecido: “O Berço da Humanidade”. O sítio arqueológico começou a ser escavado no final do século XIX, quando mineradores encontraram vários fósseis hominídeos antigos e os levaram para a apreciação de cientistas especializados. Desde então, a região de aproximados 47 mil hectares (ha) tem nos trazido amplas descobertas sobre vários de nossos precursores.

“Nossas datas demonstram as limitações do senso comum aceito de que o Australopithecus africanus, o qual é amplamente representado em Sterkfontein, descende do Australopithecus afarensis. A contemporaneidade das duas espécies sugere que uma árvore genealógica mais completa prevaleceu mais cedo no processo evolucionário humano”, diz trecho do estudo publicado.

Em outras palavras: antes, pensava-se que o A. africanus era descendente do A. afarensis. O estudo, no entanto, comprova que as duas espécies viveram mais ou menos na mesma época, a algo entre 3,4 e 3,6 milhões de anos.

A descoberta é de grande relevância pois, antes da publicação do estudo, o consenso científico dizia que o leste africano era a provável origem dos hominídeos que eventualmente evoluíram para o gênero Homo ao qual nós, humanos contemporâneos, pertencemos (nós estamos no subgrupo Homo sapiens sapiens, descendentes do Homo sapiens original).

De acordo com Darryl Granger, autor do estudo e pesquisador antropólogo, as Cavernas de Sterkfontein têm mais exemplares de fósseis Australopithecus que em qualquer outro lugar no mundo, “mas é difícil estabelecer uma data firme para eles. Esses fósseis, na verdade, são velhos – muito mais velhos do que pensávamos”, ele, que é professor de ciências antropólogas na Universidade Purdue, comentou.

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