Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 29 de abril de 2025 · 2 min de leitura ·

“Bomba de buraco negro” confirma efeito Zel’dovich; entenda

"Bomba de buraco negro" confirma efeito Zel’dovich; entenda

Pesquisadores conseguiram demonstrar pela primeira vez em laboratório uma versão experimental da chamada “bomba de buraco negro”, fornecendo evidências concretas para o efeito Zel’dovich, proposto na década de 1970. A experiência marca um avanço importante na física teórica ao mostrar que é possível amplificar energia por meio de rotação, algo que, até então, era apenas especulado em contextos envolvendo buracos negros.

O experimento foi liderado por uma equipe internacional de físicos e se baseia em conceitos formulados originalmente por Roger Penrose e Yakov Zel’dovich. A pesquisa foi publicada no repositório de estudos científicos arXiv e ainda aguarda revisão por pares.

Dado que não temos buracos negros disponíveis para testes, o físico Yakov Zel’dovich sugeriu, anos depois, um cenário mais prático. A proposta envolvia usar ondas com momento angular refletidas por um objeto em rotação acelerada. Se a velocidade da rotação fosse alta o suficiente, as ondas poderiam ser amplificadas ao invés de absorvidas, roubando parte da energia rotacional do objeto — uma analogia direta ao que aconteceria na interação com um buraco negro.

Esse fenômeno se relaciona com o efeito Doppler rotacional, que altera a frequência das ondas conforme a rotação da superfície. A equipe já havia testado esse efeito com ondas sonoras, observando mudanças nas frequências que indicavam ganho de energia. Mais recentemente, o foco se voltou para as ondas eletromagnéticas.

Na nova experiência, os pesquisadores utilizaram um cilindro de alumínio em rotação e um circuito ressonante. O objetivo era criar uma condição em que, sob a perspectiva do cilindro girando, as ondas eletromagnéticas atingissem uma frequência angular negativa. Segundo a pesquisadora Marion Cromb, isso significa absorção negativa, o que se traduz em amplificação da energia.

“O cilindro atua como um amplificador de um modo rotacional do campo eletromagnético e, quando emparelhado com um ressonador de baixa perda, torna-se instável e passa a funcionar como um gerador”, explicou a equipe no artigo. O sistema conseguiu amplificar sinais gerados apenas a partir do ruído de fundo, demonstrando o equivalente ao que os teóricos chamam de bomba de buraco negro.

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