
Um grupo de astrônomos encontraram buracos negros que foram chamados de “overmassives”, que em tradução do inglês significa excessivamente massivos. Eles recebem esse nome porque desafiam completamente a regra de relação entre a massa estelar de sua galáxia hospedeira e a do seu buraco negro central.
O estudo, recentemente publicado no The Astrophysical Journal Letters e apresentado na 243ª reunião da American Astronomical Society, utilizou dados coletados pelo Telescópio Espacial James Webb. A pesquisa tentou entender a origem misteriosa desses buracos negros excessivamente massivos e pode revelar mais informações sobre o universo primitivo.
Ao todo, foram investigados 21 desses objetos excessivamente massivos que se formaram entre 12 e 13,2 bilhões de anos atrás. No universo atual, buracos negros geralmente possuem até 0,1% da massa de sua galáxia hospedeira, mas a proporção de massa dos investigados no estudo chega a ser de 1 para 100, 1 para 10, ou até mesmo 1 para 1.
Existe uma teoria de que os buracos negros se formam a partir de estrelas com 100 a 1000 vezes a massa do Sol que explodiram em supernovas e depois disso foram se alimentando ate se tornarem gigantes. No entanto, outra hipótese aponta que alguns deles, ainda no Universo primitivo, surgiram diretamente do colapso de nuvens de gás e poeira, assim como as estrelas. Nesse processo, os buracos negros já nascem com 10 a 100 mil vezes a massa do Sol.
Os astrônomos nunca observaram buracos negros se formando dessa forma, mas os pesquisados acreditam que os objetos investigados nesse estudo provavelmente surgiram dessa forma, o que poderia justificar a proporção de massa deles e de suas galáxias hospedeiras.
Esses sistemas galácticos excessivamente massivos podem ter formado buracos negros com uma massa próxima à massa das estrelas de seus hospedeiros. Então, dado o tamanho do seu buraco negro supermassivo central, podem ter emitido tanta energia que impediu a formação de estrelas durante algum tempo. Esta combinação de razões poderia explicar por que estamos observando principalmente buracos negros excessivamente massivos no universo primitivo, com o James Webb violando a relação local.
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