Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 19 de junho de 2025 · 2 min de leitura ·

Buracos negros: nova técnica permite imagens coloridas e mais frequentes

Buracos negros: nova técnica permite imagens coloridas e mais frequentes

Cientistas estão desenvolvendo uma nova técnica capaz de transformar a forma como buracos negros são observados, oferecendo imagens mais claras, detalhadas e coloridas. A inovação também pode permitir que os astrônomos acompanhem a evolução desses objetos em tempo real, algo inédito na história da astronomia.

O método, chamado de frequency phase transfer (FPT), corrige as distorções causadas pela atmosfera da Terra, segundo reportagem do Space.com. Com isso, amplia significativamente a capacidade do Event Horizon Telescope (EHT) — rede global de radiotelescópios responsável pela primeira imagem de um buraco negro — de captar detalhes sutis e elementos mais tênues do universo.

Atualmente, o EHT funciona apenas por cerca de 10 dias por ano, sempre em abril, quando as condições climáticas estão favoráveis nos locais onde os telescópios estão distribuídos. Com o FPT, esse período pode ser estendido, possibilitando observações mais regulares e até mesmo sob condições meteorológicas menos ideais.

Essa maior frequência nas observações é essencial para um dos principais objetivos dos astrônomos: transformar fotos estáticas dos buracos negros em “filmes” que mostram suas mudanças ao longo do tempo. Como esses objetos evoluem lentamente, acompanhar detalhes como o movimento de gases, a formação de jatos de matéria e as variações nos campos magnéticos exige registros constantes.

Para viabilizar a aplicação do FPT, os telescópios do EHT estão passando por atualizações, como a instalação de receptores capazes de captar sinais na faixa de 86 GHz. De acordo com Issaoun, nem todos os equipamentos precisam receber esse upgrade para que o método funcione de forma eficiente, já que o trabalho em rede permite que os dados sejam combinados para criar uma imagem completa.

Apesar de os ajustes técnicos serem considerados relativamente simples, cada radiotelescópio possui características específicas que tornam a implementação um desafio adicional.

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