Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 24 de janeiro de 2022 · 2 min de leitura ·

Calor atinge níveis sem precedentes na África do Sul

Calor atinge níveis sem precedentes na África do Sul

No último sábado (22), os termômetros atingiram 45,2ºC na Cidade do Cabo, na África do Sul, recorde absoluto de temperatura máxima em toda a história conhecida. O recorde anterior, marcado em 3 de março de 2015, era de 42,4ºC. Trata-se de uma máxima extraordinária para uma cidade que não costuma chegar a um patamar tão extremo, devido à sua posição geográfica mais ao Sul e ao fato de se situar no litoral.

De acordo com o MetSul, esse registro colocou a cidade na posição de uma das mais quentes do planeta e no topo na lista das mais quentes do continente africano naquele dia.

Segundo Max Herrera, que apura recordes meteorológicos no mundo inteiro, o calor continuou extremamente forte na região sul do continente africano no domingo. Em Luderitz, na costa do Sul da Namíbia, um local geralmente agradável pela brisa do mar, a mínima foi de 30,5 ºC e a máxima de 42,7 ºC, apenas 0,2 ºC abaixo do recorde absoluto.

Uma máxima recorde foi registrada na cidade litorânea de Tulear, em Madagascar, com 43,2 ºC. Até então, o recorde era de 40,4 ºC, marcado em fevereiro de 1962. É a maior temperatura em janeiro em Madagascar desde 1936, quando fez 42,4 ºC em Ampanihy.

Ainda segundo o MetSul, o calor na Cidade do Cabo foi intensificado por uma área de alta pressão em altitude e o vento Berg que aumentou ainda mais a temperatura. Este vento ocorre quando o ar que é aquecido no extenso planalto central da África do Sul desce as encostas e flui até o litoral. Nesse processo, ele sofre um aquecimento adicional por processos adiabáticos.

Cabo e outras grandes cidades da África do Sul não estão preparadas para o calor que fez no sábado. À medida que o clima muda, o número, a intensidade e a duração das ondas de calor — definidas como temperaturas excepcionalmente altas que duram três ou mais dias consecutivos — na África do Sul aumentarão acentuadamente no futuro, de acordo com François Engelbrecht, climatologista do Instituto de Mudanças Globais de Witwatersrand e autor do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas. 

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