Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 6 de julho de 2022 · 2 min de leitura ·

Choque de corpos planetários será observado pelo telescópio James Webb

Choque de corpos planetários será observado pelo telescópio James Webb

O telescópio espacial James Webb está em fase final de comissionamento e prontidão de seus instrumentos, mas já conta com uma agenda lotada para quando começar os trabalhos de fato – incluindo observar, em alta definição, o choque de corpos planetários dentro do turbulento sistema ao redor da estrela Beta Picoris, a 63 anos-luz da Terra.

Nós já fizemos observações desse sistema antes, com o Hubble e vários telescópios de superfície da Terra, o que nos permitiu descobrir algumas coisas interessantes: a região é completamente envolvida por um disco de destroços, vários corpos rochosos de variados tamanhos (incluindo alguns planetesimais, as versões primárias dos planetas) e pelo menos dois planetas muitas vezes maiores que Júpiter.

Também sabemos que o sistema ao redor de Beta Picoris é relativamente jovem, com sua formação estimada de ter ocorrido há algo entre 20 e 26 milhões de anos. Por essa razão, ele inteiro é uma região bastante turbulenta – algo de especial interesse para os operadores do James Webb (NASA e ESA, respectivamente).

Isso porque, ao contrário de outros instrumentos, o telescópio espacial James Webb conta com sistemas de visão infravermelha tão poderosos que podem enxergar além da nuvem de destroços, efetivamente sabendo o que acontece dentro de um sistema tão jovem e em claro aspecto de evolução primária.

Um dos vários experimentos voltados a Beta Picoris é chamado “Ciclo 1”, e basicamente anseia observar o disco de destroços em detalhes, observando, com sorte, colisões diretas entre asteroides, planetesimais, exocometas (cometas de fora do sistema solar) e choques de vários corpos planetários, tentando entender como o resultado desses impactos na formação evolutiva de todo o sistema.

Mais além, esses impactos formarão nuvens mais finas e identificáveis, que poderão ser usadas para traçar padrões dos elementos encontrados dentro dela, identificar rotas de cometas e asteroides, além de analisar aspectos mais complexos, como a capacidade de refletir a luz em corpos aquecidos por impactos recentes.

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