
De forma totalmente inesperada, nós descobrimos um campo hidrotermal que, não apenas é fora das regiões onde eles normalmente existem, como também pode ser o maior e mais quente da porção oriental do Oceano Pacífico.
Campos hidrotermais são grandes porções de terreno marcadas por fontes que ejetam material superaquecido da crosta terrestre – algumas vezes, chegando a 400º C – e, apesar de serem inóspitos à maioria dos seres vivos, eles servem de casa para comunidades bacterianas “extremófilas”, ou seja, que vivem especificamente em ambientes extremos.
A descoberta foi feita quase que por acidente por um time de cientistas da ONG Woods Hole Oceanographic Institution, que pilotava um veículo remotamente operado por uma profundidade oceânica à qual nós não sobrevivemos. Nessa área, foram encontradas as “torres” que servem de fontes hidrotermais – algumas de vários andares de altura.
Inicialmente, pensaram que as fontes estavam inativas, mas ao se aproximarem, viram que era justamente o contrário: “ficamos impressionados não só com o fato do campo hidrotermal estar bem ativo, mas também por ele ser maior em área e mais quente em temperatura inicial que qualquer outro sistema do tipo que conhecemos nesta parte do oceano nos últimos 30 anos”, disse Daniel Fornari, geólogo marinho a serviço da ONG.
Um campo hidrotermal é a melhor testemunha da famosa frase cunhada pelo personagem Ian Malcolm (Jeff Goldblum), de Jurassic Park: “a vida encontra um jeito”. Isso porque, normalmente, os seres vivos da Terra dependem de um sistema alimentar referido como “fotosintético”, ou seja, dependente – direta ou indiretamente – da luz do Sol.
Nas profundezas do oceano, porém, a luz do Sol não chega, então tudo o que vive lá embaixo consegue progredir em outro sistema, chamado “quimiossíntese”. Essencialmente, produzir reações químicas corpóreas por meio da absorção energética de fontes que não a nossa estrela.
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