Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 9 de fevereiro de 2022 · 2 min de leitura ·

Cientistas europeus estabelecem novo recorde em fusão nuclear

Cientistas europeus estabelecem novo recorde em fusão nuclear

Cientistas do consórcio EUROfusion, composto por 4.800 especialistas, estudantes e funcionários em toda a Europa, superaram um recorde de fusão nuclear que se mantinha há 25 anos. O reator JET (Joint European Torus), localizado nas instalações da Autoridade de Energia Atômica do Reino Unido (UKAEA) em Oxford, na Inglaterra, conseguiu produzir 59 megajoules de energia durante 5 segundos, o equivalente a 11 megawatts, superando os 21.7 megajoules produzidos pelo mesmo laboratório em 1997.

Durante seu funcionamento, o reator aquece gases (uma mistura de deutério e trítio) a uma temperatura 10 vezes superior à encontrada no “coração” de estrelas como o Sol, gerando plasma. Nestas condições, núcleos atômicos se fundem e liberam imensas quantidades de energia. O desafio é manter essa reação por tempo suficiente para produzir mais energia do que o que foi necessário para iniciá-la.

Segundo a equipe responsável pelo experimento, o recorde é um grande passo rumo à criação de uma fonte de energia limpa e praticamente inesgotável. 

“Os experimentos do JET nos colocaram um passo mais perto da energia de fusão”, disse Joe Milnes, chefe de operações do JET, à BBC. “Demonstramos que podemos criar uma mini estrela dentro de nossa máquina, mantê-la por cinco segundos e obter alto desempenho, o que realmente nos leva a um novo mundo.”

“Esses resultados marcantes nos levaram a um grande passo na conquista de um dos maiores desafios científicos e de engenharia de todos eles”, disse Ian Chapman, executivo-chefe da Autoridade de Energia Atômica do Reino Unido, em comunicado. “Está claro que devemos fazer mudanças significativas para lidar com os efeitos das mudanças climáticas, e a fusão oferece muito potencial.”

A relação entre a quantidade de energia necessária para iniciar a reação e o total produzido por ela é representada por um valor chamado de Q. O experimento do JET teve um Q de 0,33. Uma reação com um Q de 1 produziria tanta energia quanto consumiu. O recorde anterior, de 1997, teve um Q de 0,7, mas na época os cientistas só conseguiram manter a reação por menos de 4 bilionésimos de segundo.

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