Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 28 de fevereiro de 2022 · 2 min de leitura ·

Cientistas podem ter observado uma “kilonova” pela primeira vez

Cientistas podem ter observado uma “kilonova” pela primeira vez

É possível que nós tenhamos observado, pela primeira vez na astronomia, os efeitos de uma “kilonova”, uma explosão estelar maior que uma “nova”, mas inferior que uma “supernova”, segundo uma definição resumida.

Essencialmente, uma kilonova ocorre quando duas estrelas de nêutrons se fundem, gerando um brilho tão intenso que chega a ser até mil vezes maior que uma nova comum. No estudo deste exemplo, o evento foi nomeado “GW170817”.

Os cientistas da Northwestern University identificaram uma fonte de raios-x que, acreditam, consiste em destroços cósmicos da fusão entre as duas estrelas. Essa fusão gerou uma onda de choque similar à causada por um avião supersônico. Esse choque superaqueceu os materiais próximos, gerando as emissões de raios-x, em um evento conhecido como “resplendor de kilonova”.

“Nós entramos em território desconhecido neste estudo dos efeitos posteriores à fusão de duas estrelas de nêutrons”, disse Aprajita Hajela, autora primária da pesquisa e estudante de graduação do Departamento de Física e Astronomia da Northwestern. “Estamos olhando para algo novo e extraordinário pela primeira vez. Isso nos dá a oportunidade de estudar e compreender novos processos físicos, os quais nunca antes foram observados”.

O GW170817 ocorreu, originalmente, em agosto de 2017, e desde então cientistas de todo o mundo vêm observando seus efeitos. Essa foi a primeira fusão de estrelas de nêutrons detectada por radiação eletromagnética e ondas gravitacionais.

Por meio do Observatório Chandra de Raios-x, os pesquisadores vinham olhando para as emissões dos raios vindas de um jato de energia se movendo quase na velocidade da luz, produzido pela fusão das estrelas. A partir de 2018, esse jato começou a se apagar e, entre março e dezembro de 2020, Hajela e sua equipe perceberam que essa redução de intensidade parou, e as emissões de raios-x se tornaram constantes.

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