
O cometa C/2014 UN271 (popularmente chamado “Bernardinelli-Bernstein”) estava ativo bem antes do que imaginávamos, de acordo com um novo estudo publicado pela Universidade de Maryland no Planetary Science Journal.
Descoberto pelo astrônomo brasileiro Pedro Bernardinelli e seu companheiro de trabalho Gary Bernstein, o C/2014 UN271 é um dos maiores cometas já identificados pelos nossos cientistas. Vindo da Nuvem de Oort, há cerca de três anos-luz da Terra, o corpo celeste tem cerca de 100 quilômetros (km) de diâmetro e da coroa até a cauda mede mais de 160 km.
Quando foi descoberto, em 2014, já havia a suspeita de que ele era um cometa que se tornou ativo mais cedo do que o esperado. O estudo de Maryland finalmente oferece evidências que corroboram essa impressão.
Basicamente, um cometa é feito de poeira e gelo provenientes dos primeiros momentos do sistema solar. Esse material se reúne e, quando o conjunto passa perto do Sol, se aquece, vaporizando o gelo (sublimação) e formando a chamada “coma cometária”. Essa é característica de um cometa ativo.
O problema é que, no que tange ao espaço, “gelo” é algo bastante subjetivo a debate: nem todo gelo é água, e pode também ser de monóxido ou dióxido de carbono, para citar alguns exemplos possíveis.
O novo estudo estipula que o cometa descoberto pelo astrônomo brasileiro se ativou bem antes de se aproximar do Sol – tão antecipadamente, na verdade, que as temperaturas na região onde ele estava quando isso aconteceu eram frias demais para vaporizar o gelo feito de água (H2O).
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