
Um artigo científico publicado na revista PNAS na segunda-feira (29) traz novas informações sobre o mistério em torno da construção das pirâmides de Gizé, no Egito. Essas fortalezas imóveis e impenetráveis, cercadas por areia varrida pelo vento e por uma metrópole em expansão, foram erguidas há cerca de 4,5 mil anos para, segundo a tradição dos egípcios antigos, honrar os mortos e conduzi-los para além da vida terrena.
De que maneira essas construções foram possíveis sem a tecnologia moderna, e com uma precisão tão surpreendente, sempre foi uma grande questão para os estudiosos. Eles acreditam que os egípcios precisavam muito mais do que algumas rampas rudimentares para transportar os pesados blocos de pedra e colocá-los na disposição certa.
A nova abordagem sugere que condições ambientais favoráveis permitiram a construção das pirâmides, com um antigo braço do rio Nilo servindo como conduíte navegável para o transporte de cargas. As enseadas tinham que ser suficientemente profundas para manter flutuando as barcaças carregadas de pedras.
“Para edificar as pirâmides, tumbas e templos do planalto, parece que antigos engenheiros egípcios aproveitaram o Nilo e suas inundações anuais, usando um engenhoso sistema de canais e bacias que formaram um complexo portuário ao pé do planalto de Gizé”, diz o artigo assinado pelo geógrafo Hadé Sheisha, da Universidade de Aix-Marseille, na França, e um grupo de nove pesquisadores coautores. “No entanto, há uma escassez de evidências ambientais sobre quando, onde e como essas paisagens antigas evoluíram”.
Perfurações de núcleos feitas durante obras de engenharia urbana em torno da atual cidade de Gizé produziram evidências estratigráficas de camadas rochosas que são consistentes com um antigo ramo do Nilo que se estende em direção à base das pirâmides Khufu, Khafre e Menkaure.
No momento em que elas estavam sendo construídas, o norte do Egito estava no auge de algumas mudanças climáticas extremas, com enchentes devastando repetidamente a Cidade Perdida das Pirâmides, Heit el-Ghurab, que abrigava trabalhadores sazonais.
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