Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 13 de maio de 2025 · 2 min de leitura ·

Cortes do governo Trump ameaçam missão para buscar amostras de Marte

Cortes do governo Trump ameaçam missão para buscar amostras de Marte

Desde que pousou na cratera Jezero, em Marte, em fevereiro de 2021, o rover Perseverance, da NASA, tem coletado amostras do solo marciano e da atmosfera do planeta em busca de sinais de vida passada. 

Em pouco mais de três anos, o robô do tamanho de um carro de passeio reuniu quase 30 fragmentos de rochas e poeira, guardados em tubos selados cuidadosamente armazenados para uma futura missão que os traria para a Terra.

Denominada Mars Sample Return (MSR) e desenvolvida em parceria com a  Agência Espacial Europeia (ESA), essa missão é considerada uma das mais complexas e ambiciosas já projetadas pela NASA. O plano prevê o envio de uma nova sonda para Marte, que buscaria as amostras coletadas, lançaria esse material em um pequeno foguete e o colocaria em órbita para ser trazido à Terra por uma nave de retorno.

No entanto, cortes orçamentários propostos pelo governo dos EUA ameaçam o futuro da missão. Em 2 de maio, o Escritório de Gestão e Orçamento (OMB) divulgou um relatório propondo uma redução de 24,3% no financiamento da NASA para 2026, com foco em cortar projetos considerados “excessivamente caros”, como a missão MSR, que corre risco de ser cancelada.

O relatório do OMB afirma que os objetivos da missão MSR podem ser alcançados por astronautas em futuras viagens a Marte, o que justificaria o adiamento do projeto. A proposta também reforça a estratégia de priorizar o retorno à Lua antes da China e, posteriormente, enviar seres humanos ao Planeta Vermelho. Isso significa que recursos da agência espacial dos EUA estão sendo redirecionados para o programa lunar Artemis e outras iniciativas com resultados mais imediatos.

No entanto, cientistas e engenheiros da própria NASA consideram a missão de retorno das amostras uma etapa indispensável. Em entrevista ao site Space.com, John Connolly, ex-funcionário da agência e professor da Texas A&M University, lembra que esse tipo de missão é discutido desde os anos 1970. Ele a descreve como o “Santo Graal” da exploração robótica marciana, por representar a chance de examinar diretamente o material do planeta.

Compartilhe