Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 22 de novembro de 2021 · 2 min de leitura ·

DART: conheça a missão que vai desviar um asteroide para defender nosso planeta

DART: conheça a missão que vai desviar um asteroide para defender nosso planeta

Nesta semana a agência espacial norte-americana (Nasa) vai lançar uma de suas mais importantes, e ambiciosas, missões até o momento. Batizada de Dart (Double Asteroid Redirect Test, Teste de Redirecionamento de Asteroide Duplo), ela vai enviar uma pequena espaçonave para colidir contra Dimorphos, “lua” do asteroide Didymos, numa tentativa de alterar sua rota.

O teste vai avaliar a viabilidade de uma solução para uma pergunta que muitos – astrônomos ou não – já fizeram em algum momento: se um asteroide vier em nossa direção, podemos explodi-lo? Se não, podemos desviá-lo?

Se na sua cabeça estão passando flashbacks do filme Armageddon, com Bruce Willis, em primeiro lugar, nos desculpe por colocar “aquela” canção do grupo Aerosmith em sua mente. Em segundo lugar, vamos com calma: a premissa do filme é a de explodir um asteroide que ameaça a vida na Terra. Na vida real as agências espaciais do mundo até consideraram esta possibilidade, mas atualmente todas concordam que desviá-lo para uma órbita mais segura seria o melhor curso de ação.

Isso porque, se explodirmos um asteroide, não temos certeza do que pode acontecer. Em vez de uma grande rocha, podemos acabar com centenas de rochas menores, mas ainda assim grandes o suficiente para destruir cidades. E em vez de um único impacto, digamos, no meio do Oceano Pacífico, que ameaçaria no máximo regiões costeiras, podemos acabar enfrentando a possibilidade de múltiplos impactos em várias cidades de um hemisfério, por exemplo.

O alvo da DART é um sistema binário composto por dois asteroides: o maior, Didymos, tem cerca de 780 metros de extensão, enquanto sua “Lua”, Dimorphos, tem 160 metros. A missão DART vai mirar nessa rocha menor, esperando que o impacto direto contra ela seja suficiente para os satélites de observação da Terra analisarem possíveis mudanças em sua trajetória.

“Isso vai mostrar para nós qual é a viabilidade de uma técnica chamada ‘impactador cinético’ para desviar a órbita de um asteroide e determinar se isso pode ser uma opção utilizável, pelo menos em asteroides menores, que estão entre os mais prováveis em risco de impacto [com a Terra]”, disse Lindley Johnson, Oficial de Defesa Planetária da Nasa, no começo deste ano ao Space.com.

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