
Um novo estudo, conduzido pela Universidade de Manchester, no Reino Unido, indica que a histórica descoberta dos três primeiros exoplanetas, no início da década de 1990, foi um extremo golpe de sorte, e facilmente poderia não ter ocorrido.
“Exoplanetas”, como você já deve saber, são planetas localizados fora do nosso sistema solar. Hoje, temos 5.108 deles confirmados em quase 3,8 mil sistemas. Mas há pouco mais de 30 anos, a mera ideia de planetas fora da nossa região era algo imaginado apenas nas melhores produções de ficção científica.
Refrescando a memória (ou informando quem é jovem demais para se lembrar), em janeiro de 1992, os astrônomos Aleksander Wolszczan e Dale Frail registraram os dois primeiros exoplanetas da história, com o terceiro vindo em 1994. Respectivamente, os três têm 4,3, 3,9 e 0,2 vezes a massa da Terra, e todos são de natureza rochosa, como a nossa casa.
Os três estão orbitando um tipo raro de estrela morta chamada “pulsar de milissegundo” chamado “B1257+12” ou, se você for mais íntimo, “Lich”, nome dado a uma criatura poderosa e morta-viva de vários folclores.
E é aí que, na pesquisa dos exoplanetas, entra o “golpe de sorte”: segundo o estudo de Manchester, pulsares comuns já são incrivelmente raros – 3.320 conhecidos na Via Láctea. Destes, apenas meio por cento (0,5%) “provavelmente têm” planetas rochosos orbitando-os. Em números expressos: de 3.320 pulsares conhecidos, apenas 16 podem ter exoplanetas rochosos perto deles.
Pulsares são, essencialmente, estrelas de nêutrons com uma velocidade de rotação tão alta que ejetam feixes de radiação de seus pólos. Esses feixes passam próximos à Terra, dando a impressão, para quem os observa daqui, de que eles “pulsam” – daí o nome. Destes, há os pulsares de velocidade tão alta que suas rotações são de, literalmente, milissegundos – e os pulsos referentes a essas rotações têm a mesma duração.
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