Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 10 de abril de 2024 · 2 min de leitura ·

El Niño muda até ‘sabor’ do mar, revela pesquisa da NASA

El Niño muda até 'sabor' do mar, revela pesquisa da NASA

Cientistas do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL, na sigla em inglês) da NASA observaram mais uma maneira pela qual o fenômeno climático El Niño pode deixar sua marca no planeta: alteração da química das águas costeiras. Para ser mais específico: da salinidade.

A equipe usou observações por satélite para rastrear o conteúdo de sal dissolvido – ou salinidade, para simplificar – da superfície oceânica global por uma década, de 2011 a 2022. Na superfície do mar, os padrões de salinidade podem dizer muito sobre como a água doce cai, flui e evapora entre a terra, o oceano e a atmosfera – um processo conhecido como ciclo da água.

A equipe do JPL mostrou que as variações anuais na salinidade perto das costas estão fortemente correlacionadas à Oscilação Sul do El Niño (ENSO) – termo coletivo para o El Niño e sua contraparte, La Niña. 

O ENSO afeta o clima ao redor do mundo de maneiras contrastantes. O El Niño, ligado a temperaturas oceânicas mais quentes que a média no Pacífico equatorial, pode levar a mais chuvas e neve do que o normal (no sudoeste dos EUA, no caso), bem como a secas na Indonésia. Esses padrões são um tanto invertidos durante o La Niña.

Por exemplo, durante o El Niño de 2015, os cientistas rastrearam um efeito global do ciclo da água particularmente distinto: menos precipitação sobre a terra levou a uma diminuição na média de deságua dos rios. Isso, por sua vez, levou a níveis de salinidade notavelmente mais altos em áreas a até 200 quilômetros da costa.

Em outros momentos, observou-se o oposto. Áreas com chuvas acima do normal sobre a terra viram um aumento na média da deságua dos rios, o que reduziu a salinidade perto dessas costas “Conseguimos mostrar a resposta da salinidade costeira ao ENSO em escala global”, afirmou a autora principal da pesquisa, Severine Fournier, física oceânica no JPL, conforme publicado pela NASA.

Compartilhe