Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 31 de maio de 2022 · 2 min de leitura ·

Em nome da “segurança nacional’, China quer destruir satélites da Starlink

Em nome da “segurança nacional’, China quer destruir satélites da Starlink

Desde que os primeiros satélites Starlink foram lançados, em 2019, a SpaceX já colocou mais de 2,3 mil deles em órbita baixa da Terra, com planos de chegar a 42 mil equipamentos, formando uma gigantesca megaconstelação para cobrir uma extensa rede de internet banda larga em todo o mundo. Para a China, no entanto, as intenções da empresa de Elon Musk têm propósitos escusos, que podem representar uma “ameaça à segurança nacional” do país.

Por essa razão, pesquisadores militares chineses buscam uma maneira de acabar com a Starlink, seja desativando o sistema ou, até mesmo, destruindo os satélites. Um artigo publicado na revista China’s Modern Defense Technology descreve as preocupações e algumas propostas de ação.

Segundo o documento, a constelação Starlink tem potenciais capacidades militares, que os autores afirmam que poderiam ser usadas para rastrear mísseis hipersônicos, aumentar drasticamente as velocidades de transmissão de dados de drones dos EUA e jatos de caças furtivos ou mesmo se chocar propositalmente com satélites chineses. 

“Uma combinação de métodos de hard kill e soft kill deve ser adotada para fazer com que alguns satélites Starlink percam suas funções e destruam o sistema operacional da constelação”, disse Ren Yuanzhen, pesquisador do Instituto de Rastreamento e Telecomunicações de Pequim, que faz parte da Força de Apoio Estratégico dos militares chineses. 

Traduzidos como “morte dura” e “morte suave”, os termos se referem a duas categorias de armas espaciais, com o hard sendo armas que atingem fisicamente seus alvos (como mísseis) e o soft relacionado a dispositivos de interferência e armas a laser.

De acordo com o Departamento de Defesa dos EUA, a China já tem vários métodos para desativar satélites, como bloqueadores de micro-ondas que podem interromper as comunicações ou queimar componentes elétricos, além de equipamentos a laser de resolução milimétrica que podem cegar os sensores, armas cibernéticas para invadir redes de transmissão, e mísseis antissatélite de longo alcance (ASAT).

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