Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 2 de fevereiro de 2022 · 2 min de leitura ·

ESA determina novo “fuso espacial”; o que isso significa?

ESA determina novo "fuso espacial"; o que isso significa?

Desde novembro de 2021, os satélites e estações terrestres da Agência Espacial Europeia (ESA) estão funcionando em um “fuso” recém-definido e incrivelmente preciso. Medido por dois relógios atômicos no subterrâneo do Centro Europeu de Operações Espaciais (ESOC), na Alemanha, essa nova determinação temporal, segundo a ESA, trará amplos benefícios operacionais para todas as missões da agência, tornando possíveis novos feitos no espaço, ao mesmo tempo em que atualiza nossa definição global de “agora”.

Como Albert Einstein descobriu, o tempo é relativo. Ou seja, o tempo marcado em um relógio depende da rapidez com que está se movendo ou quão longe ele está de um corpo maciço, como sua altitude acima da superfície da Terra. 

Dessa forma, relógios posicionados no topo de uma montanha registram a passagem do tempo de forma ligeiramente diferente daqueles que estão no fundo do oceano. Notavelmente, da mesma maneira, um gêmeo viajando pelo espaço experimenta a passagem do tempo, e o envelhecimento, a uma taxa diferente de seu irmão inicialmente idêntico na Terra.

Por causa disso, é de fato impossível saber a hora exata “agora” em qualquer lugar que não seja sua localização precisa. Comparar relógios em dois locais diferentes leva tempo: imagine pedir a um marciano que diga que horas são no Planeta Vermelho — levará cerca de 14 minutos para sua mensagem chegar lá e o mesmo para obter sua resposta. Quando receber a mensagem, a informação está desatualizada.

Isso pode não ter importado séculos atrás, mas nosso mundo moderno se baseia em uma concepção compartilhada do momento presente. 

Antes dos trens, diferentes regiões locais determinavam seu próprio tempo independente definido pelo movimento do Sol. À medida que as pessoas começavam a se deslocar de um local para outro, tornou-se necessário um tempo coordenado para que os motoristas de trem não precisassem atualizar continuamente seus relógios à medida que passavam de região para região, e que os passageiros soubessem o horário em que chegaram ao seu destino.

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