
O tigre dentes-de-sabre foi um animal pré-histórico caracterizado por longos dentes caninos que podiam atingir até 20 centímetros de comprimento. Estes felinos eram exímios caçadores e até hoje fazem parte do imaginário popular.
Apesar da fama, não se sabe ao certo o que causou a extinção da espécie. Agora, dois novos estudos analisam como interações entre predadores e presas podem ter contribuído para o desaparecimento destas populações.
No primeiro trabalho, publicado no Journal of Evolutionary Biology, os cientistas utilizaram bancos de dados de fósseis, estimativas de tamanho corporal e dados sobre a variação climática na América do Norte e na Eurásia nos últimos 20 milhões de anos. Dessa forma, foi possível traçar a história evolutiva e as interações que podem ter influenciado a extinção do tigre-dentes-de-sabre.
Uma das hipóteses é a de que o fim dos tigres-dentes-de-sabre poderia estar ligado à extinção da megafauna no final do Pleistoceno, que ocorreu entre 50 mil e 11 mil anos atrás. Esses animais de grande porte foram extintos por conta de mudanças climáticas e ações humanas e, com isso, os predadores teriam ficado sem suas principais presas.
No entanto, verificamos que o processo começou milhões de anos antes. Ao longo da história do grupo houve várias espécies diferentes de dentes-de-sabre. Nosso estudo mostra que as extinções de algumas delas, ao longo de toda a história do grupo, ocorreram geralmente nos momentos em que a diversidade de presas era menor.
Na outra pesquisa, publicado na revista Evolution, os autores observaram uma correlação no sentido oposto. O aumento da diversidade de predadores fez com que a diversidade de espécies de um grupo de herbívoros, os antilocaprídeos, declinasse. Hoje, estes animais são representados por uma só espécie vivente, o antílope-americano, um dos herbívoros mais velozes do mundo.
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