Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 10 de abril de 2024 · 2 min de leitura ·

Estrela magnética desperta de “sono” de 10 anos e age de forma estranha

Estrela magnética desperta de “sono” de 10 anos e age de forma estranha

Uma das estrelas mais intrigantes da Via Láctea acaba de ficar ainda mais estranha. Trata-se de um magnetar chamado XTE J1810-197, que foi descoberto em 2003 disparando ondas de rádio. 

Em 2008, a atividade parou, e a estrela praticamente desapareceu de vista. No entanto, em 2018, ela despertou novamente. Só que, desta vez, havia algo muito estranho na radiação que estava emitindo.

Cientistas analisaram essas ondas de rádio em dois artigos distintos, publicados esta semana na revista Nature Astronomy – que você pode acessar aqui e aqui. Os resultados mostram que essas emissões eletromagnéticas de baixa frequência são distorcidas de uma maneira nunca antes observada e que a estrela parece oscilar.

Ao contrário dos sinais de rádio que vimos de outros magnetares, este está emitindo enormes quantidades de polarização circular em rápida mudança.

“Esperávamos ver algumas variações na polarização da emissão desse magnetar, pois sabíamos isso de outros magnetares”, explica Gregory Desvignes, do Instituto Max Planck de Radioastronomia (MPIfR), na Alemanha, que liderou o segundo artigo. “Mas não esperávamos que essas variações fossem tão sistemáticas, seguindo exatamente o comportamento que seria causado pela oscilação da estrela”.

As estrelas são todas únicas à sua maneira, mas os magnetares se destacam como os mais enigmáticos. Originam-se de estrelas massivas que, ao morrerem em explosões de supernovas, deixam para trás núcleos colapsados conhecidos como estrelas de nêutrons. Esses objetos são incrivelmente densos, com até 2,3 vezes a massa do Sol comprimida em uma esfera de apenas 20 km de diâmetro.

Compartilhe