Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 21 de fevereiro de 2022 · 2 min de leitura ·

Estudo mostra como o cérebro é “reprogramado” no espaço; entenda

Estudo mostra como o cérebro é “reprogramado” no espaço; entenda

Uma pesquisa colaborativa entre as agências espaciais europeia (ESA) e russa (Roscosmos) estudou as alterações pelas quais passam os cérebros de cosmonautas em longas viagens ao espaço — resumidamente, o nosso cérebro é “reprogramado”, segundo os cientistas.

O paper indica diversas alterações físicas — potencialmente causadas pela mudança no fluxo de fluidos cerebrais, que é alterado pela ausência de gravidade, entre outros fatores. E isso causa alterações como aumento das massas cinzenta e branca, bem como dilatações em um dos principais centros nervosos do cérebro.

“As mudanças cerebrais observadas pelo nosso time foram inéditas e muito inesperadas”, disse, Floris Wuyts, da Universidade da Antuérpia, na Bélgica, que assina a autoria primária do paper. Para essa pesquisa, a equipe estudou os cérebros de 12 cosmonautas pouco antes, durante, logo após e sete meses depois de seu retorno à Terra. Todos os cosmonautas tiveram uma média de 172 dias de viagem — aproximadamente cinco meses e meio.

O método utilizado é conhecido como “tractografia”, que usa informações de ressonância magnética para reconstruir o cérebro analisado em 3D, ressaltando nessa reconstrução toda a parte de conectividade do órgão. De acordo com Wuyts, essa técnica permite, essencialmente, que cientistas enxerguem toda a “fiação” do nosso cérebro.

Segundo o estudo, após o voo, essas estruturas de conectividade passam por deformações causadas pela alteração no fluxo de fluidos cerebrais e, paralelamente, o time também identificou aumento das massas branca e cinza, como ressaltamos mais acima, bem como mudanças no formato do corpo caloso — basicamente, um grande conjunto de fibras nervosas que Wuyts chamou de “a auto estrada que conecta os dois lados do cérebro”.

Na prática, isso pode levar a alterações na capacidade motora dos cosmonautas, segundo o que contou Andrei Doroshin, um pesquisador da Universidade Drexel na Pensilvânia e co-autor do estudo. “As áreas motoras do cérebro são os centros onde nossos movimentos se iniciam. Em um ambiente sem peso, um astronauta precisa se adaptar a isso, especialmente se comparado ao ambiente com gravidade da Terra. O nosso estudo mostra, essencialmente, que o cérebro é reprogramado, por assim dizer”.

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