Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 26 de maio de 2022 · 2 min de leitura ·

Estudo revela como cérebros de morcegos são organizados para ecolocalização e fuga

Estudo revela como cérebros de morcegos são organizados para ecolocalização e fuga

Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade da Califórnia (UC), nos EUA, mostra como os cérebros dos morcegos Rousettus aegyptiacus, uma espécie frugívora (que se alimenta de frutas), são altamente especializados para ecolocalização e fuga. 

Segundo a pesquisa, publicada nesta quarta-feira (25) na revista Current Biology, determinadas áreas motoras do córtex cerebral desses animais são dedicadas à produção de sonar e ao controle das asas.

Embora representem um quarto de todas as espécies de mamíferos vivos, esta é a primeira vez que os morcegos têm o córtex motor completo mapeado, de acordo com o primeiro autor do estudo, Andrew Halley, pesquisador de pós-doutorado no Laboratório de Neurobiologia Evolutiva do Centro de Neurociências da UC Davis, chefiado pela professora Leah Krubitzer.

Usando eletrodos para estimular diferentes áreas cerebrais em morcegos anestesiados, os cientistas buscaram determinar os movimentos dos músculos e dos membros produzidos a partir da estimulação. Enquanto teorias clássicas da organização do córtex motor defendem que os músculos individuais estão representados no córtex motor, o novo estudo encontrou evidências de movimentos complexos em diversas regiões do corpo.

A espécie analisada é incomum entre os morcegos porque sonoriza usando sua língua, em vez de sua laringe, como faz a maioria dos morcegos ecolocantes. Os morcegos frugívoros são conhecidos por terem controle motor preciso de sua língua e são capazes de mirar feixes de sonar em diferentes direções simplesmente manipulando suas línguas dentro de suas bocas, sem mover suas cabeças.

Segundo Halley, o córtex motor do animal tem uma região extraordinariamente grande que representa movimentos da língua. Mais de 40% do córtex sensorial e motor que foi estimulado produziu movimentos da língua — muito mais do que em outras espécies que foram estudadas, como primatas e roedores.

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