Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 16 de fevereiro de 2023 · 2 min de leitura ·

Exclusivo: entrevista com brasileira que inventou chip revolucionário

Exclusivo: entrevista com brasileira que inventou chip revolucionário

Com certeza, isso já aconteceu com todos nós: ao jogar videogame ou usar o computador, a energia cai. E aí é torcer para a versão “sobrevivente” não estar muito defasada. Numa dessas, você perde grande parte do que já tinha sido feito. Esse problema será solucionado quando começarmos a usar máquinas feitas com memristores, ou seja, com memória resistiva (ReRAM). Isso porque, com os memristores, não haverá a divisão das informações dos eletrônicos em unidade de armazenamento (que não depende de energia) e memória instantânea (que apaga com o aparelho desligado). Todos os detalhes sobre essa tecnologia você pode conferir aqui.

O Olhar Digital conversou com a responsável pelo estudo, Marina Sparvoli, pós-doutoranda do Instituto de Física da USP. Acompanhe a entrevista completa:

Olhar Digital: Como surgiu a ideia dessa pesquisa? Foi por acaso ou sempre trabalhou com o tema?

Marina: Inicialmente, a minha motivação era encontrar um tema aderente ao programa da Ciência da Computação da UFABC. Eu havia passado no concurso para professora visitante e ficaria na instituição por pelo menos 2 anos. Eu precisava encontrar algo que eu soubesse fazer, que envolvesse materiais, e, ao mesmo tempo, fosse pertinente aos conteúdos da área em que estava trabalhando.

O problema é que todos trabalhavam com algoritmos, software, dados e assuntos que eu realmente não tenho o menor talento – apesar de que, nos anos seguintes, acabei aprendendo muito sobre estrutura de dados e algoritmos por assistir as aulas de professores mestres no assunto. Pouquíssimos docentes estavam trabalhando com hardware.

A princípio, pensei em me aprofundar em pesquisas envolvendo arduíno (plataforma de prototipagem eletrônica de hardware livre e de placa única), construção de instrumentação e outras quinquilharias. Não era suficiente. Útil, mas não suficiente. E foi numa viagem a Portugal que me deram a inspiração necessária. Anualmente, tenho o costume de viajar para Aveiro e ficar 2 ou 3 semanas na universidade, junto ao departamento de física, trocando informações sobre os últimos resultados do desenvolvimento de materiais e novos dispositivos.

Compartilhe