
Uma descoberta surpreendente feita por pesquisadores portugueses revela a presença de bário em atmosferas de dois exoplanetas. Segundo o estudo, publicado nesta quinta-feira (13) na revista Astronomy & Astrophysics, esse é o elemento mais pesado já detectado em uma atmosfera fora do Sistema Solar.
Usando o Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu do Sul (ESO), os astrônomos ficaram abismados ao descobrir o bário em altas altitudes nas atmosferas dos gigantes gasosos WASP-76 b e WASP-121 b.
“A parte intrigante e contraintuitiva é: por que há um elemento tão pesado nas camadas superiores da atmosfera desses planetas?”, disse Tomás Azevedo Silva, doutorando na Universidade do Porto e no Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), autor principal do artigo.
Os exoplanetas WASP-76 b e WASP-121 b fazem parte de uma categoria conhecida como Júpiter ultraquente, sendo comparáveis em tamanho ao maior planeta do Sistema Solar e apresentando temperaturas acima de 1000°C na superfície.
Essas temperaturas extremamente altas se devem à proximidade desses corpos com suas estrelas hospedeiras. E tal distância faz com que uma órbita em torno de cada estrela leve apenas um a dois dias, de acordo com o site Phys.org.
Isso dá a esses planetas características bastante exóticas. Em WASP-76 b, por exemplo, existe a suspeita de que chove ferro. O bário, no entanto, é 2,5 vezes mais pesado que o ferro, motivo pelo qual sua detecção nas atmosferas superiores desses corpos planetários causa tanta estranheza. “Dada a alta gravidade dos planetas, é esperado que elementos pesados como o bário caiam rapidamente nas camadas inferiores da atmosfera”, explica o coautor do artigo Olivier Demangeon, também pesquisador da Universidade do Porto e do IA.
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