
Uma recém-descoberta explosão cósmica de rádio apresenta algumas propriedades únicas que fornecem aos cientistas pistas importantes sobre possíveis causas para esses misteriosos fenômenos astronômicos conhecidos como rajadas rápidas de rádio (FRB, na sigla em inglês).
Ao mesmo tempo, tais características colocam em cheque o que os astrônomos pensavam saber sobre essas poderosas explosões, conforme descrito em um novo estudo publicado na revista Nature neste mês.
Detectadas pela primeira vez em 2007, as FRBs são pulsos extremamente brilhantes de ondas de rádio que vêm de galáxias distantes. Em apenas um milissegundo, elas liberam tanta energia quanto o Sol faz ao longo de muitos dias. Nos últimos 15 anos, foram observadas cerca de 800 FRBs, e esse número tende a crescer cada vez mais.
Segundo Kshitij Aggarwal, pesquisador afiliado da Universidade da Virgínia Ocidental, nos EUA, quando um telescópio captura um FRB, uma das características mais importantes que os cientistas examinam é a chamada dispersão, que é basicamente uma medida de como um FRB é esticado quando alcança a Terra.
“O plasma que fica entre estrelas e galáxias faz com que toda a luz – incluindo ondas de rádio – desacelere, mas frequências mais baixas sentem esse efeito mais fortemente e desaceleram mais do que frequências mais altas”, explicou Aggarwal em um artigo autoral publicado no site The Conversation.
“Os FRBs contêm uma gama de frequências, então a luz de maior frequência na explosão atinge a Terra antes das frequências mais baixas, causando a dispersão”, disse o pesquisador, que é um dos autores do novo estudo. “Isso permite que os cientistas usem a dispersão para estimar de quão longe da Terra um FRB se originou. Quanto mais esticado é uma FRB, mais plasma o sinal deve ter passado e mais longe a fonte deve estar”.
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