Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 2 de março de 2022 · 2 min de leitura ·

Fábrica de pigmentos de 40 mil anos descoberta na China traz novas evidências sobre a cultura da época

Fábrica de pigmentos de 40 mil anos descoberta na China traz novas evidências sobre a cultura da época

Um estudo publicado nesta quarta-feira (2) na revista científica Nature, feito por uma equipe internacional de pesquisadores, traz informações inéditas sobre o estilo de vida de um grupo de pessoas que vivia na China há 40 mil anos. 

Escavações feitas no sítio arqueológico de Xiamabei, na Bacia de Nihewan, norte do país, revelaram a presença de uma antiga fábrica de ‘ocre’, pigmento natural de argila, que lança uma nova luz sobre processos de inovação e diversificação cultural que ocorreram no leste da Ásia durante um período de miscigenação genética e tecnológica. 

Até hoje, muito pouco se sabe sobre a vida e as adaptações culturais dos povos asiáticos primitivos dessa fase. Na busca de respostas, a Bacia de Nihewan, com uma riqueza de sítios arqueológicos que variam entre 2 milhões e 10 mil anos de existência, é uma das melhores oportunidades para entender a evolução do comportamento cultural na região.

Essas são as primeiras evidências conhecidas de processamento de ocre no leste da Ásia, principalmente em razão de um conjunto de ferramentas de pedra distintas semelhantes a lâminas diferente de tudo o que já foi visto por ali. 

A análise dos achados oferece novas impressões importantes sobre a inovação cultural durante a expansão das populações do Homo sapiens. “Xiamabei se diferencia de qualquer outro sítio arqueológico conhecido na China, pois possui um novo conjunto de características culturais em uma data inicial”, declarou Fa-Gang Wang, pesquisador do Instituto Provincial de Relíquias Culturais e Arqueologia de Hebei, um dos autores do novo estudo.

“A capacidade dos hominídeos de viver em latitudes ao norte, com ambientes frios e altamente sazonais, provavelmente foi facilitada pela evolução da cultura na forma de adaptações econômicas, sociais e simbólicas”, disse Shixia Yang, membro da Academia Chinesa de Ciências e cientista do Instituto Max Planck para a Ciência da História Humana, em Jena, na Alemanha. “Os achados em Xiamabei estão nos ajudando a entender essas adaptações e seu potencial papel na migração humana”.

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