
Um estudo publicado nesta segunda-feira (1) na revista Nature Astronomy traz uma possível explicação para um dos fenômenos mais intrigantes descobertos recentemente na Via Láctea. A pesquisa identificou a origem de um misterioso sinal de rádio que desafia os modelos tradicionais da astronomia e pode ajudar a compreender uma nova categoria de objetos cósmicos observados nos últimos anos.
O mistério começou há poucos anos, quando radiotelescópios detectaram um sinal incomum vindo do plano da nossa galáxia. Diferentemente dos pulsos emitidos por objetos já conhecidos, como pulsares, essa fonte apresentava um comportamento muito mais lento, algo nunca registrado pelos cientistas.
Esses sinais passaram a ser classificados como transientes de rádio de longo período (LPT). Até agora, cerca de uma dúzia deles foi identificada em diferentes regiões da Via Láctea. Como apresentam características incomuns, eles despertaram grande interesse entre os pesquisadores.
Segundo a equipe liderada pelo astrônomo Kovi Rose, da Universidade de Sydney, na Austrália, um dos enigmas pode finalmente ter sido solucionado. Os pesquisadores conseguiram rastrear um desses sinais até um sistema estelar específico, revelando a origem de pelo menos parte desse fenômeno.
A fonte identificada é uma chamada variável cataclísmica magnética. Trata-se de um sistema formado por uma anã branca altamente magnetizada e uma estrela companheira. A anã branca atrai continuamente matéria da outra estrela, processo que gera intensas emissões de energia.
Em um comunicado, Rose destaca que os LPTs intrigam os astrônomos desde sua descoberta. Embora diversos sinais tenham sido registrados, suas origens permaneciam incertas. A nova identificação representa um passo importante para entender como esses eventos são produzidos.
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