
Em 2015, uma das ideias centrais da teoria da relatividade geral de Albert Einstein foi comprovada. Na ocasião, cientistas registraram pela primeira vez ondas gravitacionais, minúsculas ondulações no espaço-tempo previstas por ele quase um século antes, abrindo uma nova forma de explorar o Universo.
Agora, no aniversário de 10 anos dessa conquista, uma descoberta publicada na revista Physical Review Letters, permite testar uma ideia ousada de outro grande ícone, o físico Stephen Hawking, famoso por seus estudos sobre buracos negros.
Ondas gravitacionais são vibrações que viajam à velocidade da luz, provocadas por eventos cósmicos extremos, como a fusão de buracos negros ou estrelas de nêutrons. A primeira observação aconteceu em 14 de setembro de 2015, quando o Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferometria a Laser (LIGO), nos EUA, captou o sinal GW150914. Ele se originou da colisão de dois buracos negros, cada um com mais de 30 vezes a massa do Sol, a mais de um bilhão de anos-luz.
Além de confirmar uma previsão fundamental da teoria da relatividade geral de Einstein, a detecção rendeu o Prêmio Nobel de Física de 2017 a Rainer Weiss, Barry Barish e Kip Thorne. Desde então, mais de 300 sinais semelhantes foram identificados pelos detectores LIGO, Virgo (Itália) e KAGRA (Japão), dobrando recentemente o número de eventos conhecidos.
A equipe internacional que reúne esses observatórios, com participação do centro australiano OzGrav, acaba de anunciar um novo registro: o GW250114. Ele lembra muito o primeiro sinal, mas a tecnologia atual tornou a detecção quase quatro vezes mais nítida, permitindo análises mais detalhadas.
De acordo com um comunicado, foi essa clareza que possibilitou colocar à prova uma das principais teorias de Hawking. Na década de 1970, ele e o físico Jacob Bekenstein propuseram que a área do horizonte de eventos de um buraco negro – a região de onde nada escapa – nunca diminui. Em termos simples, buracos negros não encolhem.
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