
Um artigo publicado este mês na revista Nature Astronomy relata uma descoberta inesperada sobre Andrômeda (ou Messier 31), a galáxia mais próxima da Via Láctea. Astrônomos perceberam que a maioria das pequenas galáxias ao redor dela está apontando em uma única direção: a nossa.
Essa organização incomum contraria o que os cientistas esperavam com base no modelo padrão da formação de galáxias, segundo o qual as grandes galáxias, como a Via Láctea e Andrômeda, crescem engolindo outras menores ao longo do tempo. Essas galáxias anãs seriam puxadas pela gravidade, com ajuda da misteriosa matéria escura, e acabariam se fundindo com a galáxia maior. E o esperado é que elas orbitem em todas as direções, de forma desordenada.
No entanto, observações anteriores já indicavam algo esquisito em Andrômeda. Várias de suas galáxias satélites orbitam de forma relativamente plana, como os planetas do nosso Sistema Solar. Isso já era difícil de explicar. Agora, o novo estudo mostra que elas não só estão organizadas, como também parecem “olhar” para a Via Láctea, nossa “casa” no Universo.
Os pesquisadores analisaram 37 dessas galáxias satélites e descobriram que 80% delas estão reunidas em um hemisfério específico de Andrômeda – justamente o que está voltado para a nossa galáxia. Em modelos de simulação baseados nas leis conhecidas da cosmologia, isso acontece em menos de 0,3% dos casos.
Para os autores do estudo, esse padrão pode ser um desafio sério para o modelo padrão do Universo, conhecido como ΛCDM (Lambda-CDM). Essa teoria é a mais aceita para explicar a origem e o desenvolvimento do cosmos, levando em conta a expansão do Universo e a matéria escura.
A simulação de galáxias feita com base nesse modelo simplesmente não reproduz esse tipo de organização. Ou seja, se os dados estiverem corretos, Andrômeda e suas galáxias satélites estão se comportando de maneira que a teoria atual não consegue explicar. Isso levanta dúvidas sobre o que pode estar faltando em nosso entendimento.
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