Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 27 de janeiro de 2022 · 2 min de leitura ·

“Harpa cósmica”: centro da Via Láctea tem cerca de mil longos filamentos magnéticos lado a lado

“Harpa cósmica”: centro da Via Láctea tem cerca de mil longos filamentos magnéticos lado a lado

Uma nova imagem do centro turbulento da Via Láctea revelou cerca de mil filamentos misteriosos, inexplicavelmente “pendurados” no espaço. E eles são imensos, se estendendo por quase 150 anos-luz de comprimento. Esses fios unidimensionais são organizados em pares dentro de aglomerados e, muitas vezes, igualmente espaçados, lado a lado, como as cordas de uma harpa. 

Essa descoberta, na verdade, foi feita há cerca de 40 anos. Usando observações em comprimentos de onda de rádio, o astrônomo Farhad Yusef-Zadeh, da Universidade Northwestern, em Evanston, Illinois, nos EUA, avistou os filamentos magnéticos altamente organizados no início da década de 1980. 

Segundo Yusef-Zadeh, os filamentos compreendem elétrons de raios cósmicos girando seu campo magnético próximo da velocidade da luz. No entanto, sua origem permaneceu um mistério nunca resolvido — até então.

Agora, uma nova imagem expôs 10 vezes mais filamentos do que o descoberto originalmente, tornando possível a Yusef-Zadeh e sua equipe conduzirem estudos estatísticos em uma ampla gama de fios pela primeira vez, o que poderia ajudá-los a, finalmente, desvendar o mistério.

“Estudamos filamentos individuais há muito tempo com uma visão míope”, disse Yusef-Zadeh, que é o principal autor do estudo, já disponível online, e que foi aceito para publicação pelo The Astrophysical Journal Letters. “Agora, finalmente vemos o quadro geral — uma vista panorâmica cheia de uma abundância de filamentos. Apenas examinar alguns deles torna difícil tirar qualquer conclusão real sobre o que eles são e de onde vieram. Isso é um divisor de águas para promover nossa compreensão dessas estruturas”.

Yusef-Zadeh, que é professor de física e astronomia na Faculdade de Artes e Ciências da Northwestern e membro do Centro de Exploração Interdisciplinar e Pesquisa em Astrofísica (CIERA), passou três anos pesquisando o céu e analisando dados no Observatório de Radioastronomia da África do Sul (SARAO), junto à sua equipe.

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