Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 6 de junho de 2023 · 2 min de leitura ·

“Hipopótamos da cocaína” acendem alerta na Colômbia

“Hipopótamos da cocaína” acendem alerta na Colômbia

Um levantamento feito pelo Ministério do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Colômbia aponta que Pablo Escobar, um dos narcotraficantes mais conhecidos do mundo, deixou uma herança perigosa para o país: os chamados “hipopótamos da cocaína”.

Tudo começou em 1981, quando “El Patrón” importou ilegalmente um macho e três fêmeas da espécie Hippopotamus amphibius de um zoológico nos EUA e os transferiu para a Hacienda Nápoles, famosa residência do criminoso internacional localizada na cidade de colombiana de Doradal, no vale do rio Magdalena.

Após a morte de Escobar, em 1993, os animais (que são os herbívoros mais agressivos do mundo) foram deixados à própria sorte, procriando e se dispersando nas áreas circundantes, estabelecendo uma população saudável ao longo do rio. Agora, no entanto, o censo do governo revelou que há cerca de 215 hipopótamos no país – o dobro do esperado originalmente. Cientistas alertam que os animais, vivendo em relativa segurança pela proibição da caça e ausência de predadores, podem chegar a 1.500 até 2035. 

Além disso, os pesquisadores descobriram que cerca de 37% deles são jovens, o que indica que a reprodução está acontecendo mais cedo e com mais frequência. Esses animais podem procriar durante a maior parte da vida, que é estimada entre 40 e 50 anos.

Pesquisadores da Universidade Nacional da Colômbia, do Instituto de Pesquisa de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt, em Bogotá, e do Cornare, órgão ambiental que administra uma área onde vivem os hipopótamos, fizeram grandes esforços para contabilizar os animais, gerando um estudo aceito para publicação esta semana pela revista Nature.

Além de ser perigoso se aproximar deles, os hipopótamos são seres noturnos, viajam longas distâncias e passam até 16 horas submersos na água, dificultando severamente o monitoramento.

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