Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 27 de junho de 2025 · 2 min de leitura ·

Imagens trazem primeira evidência da formação de planetas em estrelas muito jovens

Imagens trazem primeira evidência da formação de planetas em estrelas muito jovens

Em um feito inédito, astrônomos podem ter flagrado planetas recém-nascidos em seus estágios iniciais de formação ao redor de estrelas muito jovens. Uma equipe formada por cientistas do Japão e de Taiwan analisou 78 discos de gás e poeira a cerca de 460 anos-luz da Terra, no complexo nebular Rho Ophiuchus, o local de formação estelar mais próximo do Sistema Solar.

Segundo o estudo, que foi publicado no periódico científico The Publications of the Astronomical Society of Japan, essas estruturas seriam discos protoplanetários, considerados os berços dos planetas.

Nesses discos, a equipe identificou formas como anéis, espirais e outras subestruturas que ainda não tinham sido observadas em estrelas tão jovens, com apenas algumas centenas de milhares de anos. Embora isso pareça muito, a título de comparação, o Sol tem 4,6 bilhões de anos. Isso pode significar que planetas e estrelas podem evoluir juntos desde os primeiros momentos. 

Quando uma estrela se forma, ela nasce do colapso de nuvens densas de gás e poeira. Esse processo cria uma protoestrela, que vai crescendo ao absorver o material ao redor. Esse crescimento continua até que a protoestrela atinja massa suficiente para iniciar a fusão de hidrogênio, liberando energia no núcleo. A partir daí, ela se torna uma estrela jovem. Ao redor dela, sobra um disco achatado de gás e poeira onde os planetas começam a se formar.

À medida que os planetas se desenvolvem, sua gravidade interfere nesse disco. Eles empurram ou puxam o material ao redor, criando estruturas como anéis e lacunas. A dúvida dos astrônomos era saber em que momento essas formas começam a surgir.

Para entender isso melhor, os cientistas usaram o Atacama Large Millimeter/submillimeter (ALMA), um conjunto de 66 antenas instalado no norte do Chile. Considerado o maior complexo de radiotelescópios em operação do mundo, esse observatório é capaz de capturar detalhes finos nos discos protoplanetários. 

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