Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 17 de novembro de 2021 · 2 min de leitura ·

Japão recria mural budista destruído pelo Talibã no Afeganistão

Japão recria mural budista destruído pelo Talibã no Afeganistão

Pesquisadores japoneses recriaram um ilustre mural afegão que foi destruído pelo Talibã durante a ocupação do país em 2001. Para isso, os cientistas usaram uma mistura de técnicas tradicionais e digitais que, segundo eles, salvará o “espírito” da obra para as gerações futuras.

Com seis metros de comprimento e três metros de altura, a cópia em tamanho real foi apelidada de “superclone” pela equipe de reprodução da Universidade de Artes de Tóquio. A obra original, uma pintura rupestre do século 7, foi destruída junto com duas enormes estátuas de Buda e outros artefatos no Vale de Bamiyan, no Afeganistão.

Frente à consternação mundial motivada pelos acontecimentos, a equipe se empenhou durante três anos para construir uma réplica precisa, com esforços de reprodução de última geração, que foi exibida em um museu em Tóquio em setembro e outubro deste ano, poucas semanas depois que o Talibã retomou o poder em Cabul, em agosto – o que gerou temores de um retorno ao seu reinado brutal ocorrido entre 1996 e 2001.

“Conseguimos recriar uma representação muito precisa em três dimensões, desde sua textura até o tipo de tinta”, disse o coautor do estudo, Takashi Inoue. O mural original ficava no teto da caverna que abrigava os restos de dois Budas de Bamiyan e retratava um Bodhisattva azul – ou alguém a caminho de se tornar um Buda.

Segundo a agência de notícias AFP, o Japão é um grande doador do Afeganistão e há muito tempo está envolvido nos esforços de proteção do patrimônio em Bamiyan, uma encruzilhada de civilizações antigas considerada um dos berços do budismo japonês.

Na preparação para o trabalho, a equipe processou digitalmente mais de 100 fotografias do mural tiradas por arqueólogos japoneses – antes de ser destruído – para criar um modelo computadorizado de sua superfície.

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