Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 28 de novembro de 2025 · 3 min de leitura ·

Lançamento histórico de foguete da China desafia domínio da SpaceX

Lançamento histórico de foguete da China desafia domínio da SpaceX

Um dos maiores diferenciais da SpaceX é a capacidade de reutilizar foguetes, algo que a empresa mostrou ser possível em 2015, ao realizar o primeiro pouso bem-sucedido de um Falcon 9 após o lançamento. Desde então, já acumulou centenas de recuperações e relançamentos, reduzindo custos e acelerando o ritmo de missões. Esse modelo de operação virou referência mundial e estimulou a concorrência no mercado global.

A China é um dos países que responde a esse desafio com investimentos fortes em veículos reutilizáveis. Hoje, há três foguetes chineses alinhados para tentar voos orbitais com recuperação do primeiro estágio – todos prontos para decolar do Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan, no noroeste do país. Entre eles, o Zhuque-3 concentra as atenções: pelas movimentações das últimas semanas, é o que parece estar mais próximo de inaugurar a era da reutilização orbital chinesa.

De acordo com o site SpaceNews, a empresa LandSpace, responsável pelo Zhuque-3,  vem se preparando para tentar o primeiro lançamento orbital com pouso do propulsor chinês já neste fim de semana – embora não haja confirmação oficial de data ou horário. O foguete foi colocado na posição de voo em Jiuquan no fim do mês passado e testes importantes foram concluídos com sucesso.

Segundo o South China Morning Post, a expectativa é que ele realize uma missão completa: com inserção da carga útil em órbita baixa e, em seguida, a recuperação do primeiro estágio para uso futuro. O perfil de retorno inclui uma reentrada controlada com manobras aerodinâmicas guiadas por aletas grid fins (estruturas metálicas em formato de grade usadas para estabilizar e orientar o estágio durante a descida), seguida por uma queima de desaceleração para alinhar a trajetória final e uma queima de pouso utilizando um único motor, culminando no toque em quatro pernas retráteis. 

Embora o procedimento se assemelhe ao método consolidado pela SpaceX, a LandSpace desenvolveu sua própria abordagem: tanto os algoritmos de controle de voo quanto a estrutura do foguete, os materiais, os sistemas de navegação e a propulsão foram projetados internamente, sem reaproveitar a engenharia norte-americana – com o mesmo valendo para os outros dois veículos que estão no páreo em Jiuquan.

O Zhuque-3 teve uma campanha de testes intensa em pouco mais de dois anos. Em setembro de 2024, realizou um voo atmosférico de 10 km com religamento de motor para simular pouso. Fez também ensaios estáticos de motores de 45 segundos, incluindo testes com o segundo estágio acoplado, passos que aumentaram a confiança da LandSpace para avançar à tentativa orbital.

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