
Um novo estudo publicado no Biological Journal of the Linnean Society revelou que o chamado “lobo” das Ilhas Malvinas – considerado o único mamífero nativo do arquipélago – não era um lobo, mas, sim, a última população sobrevivente de uma espécie de raposa domesticada na América do Sul.
Por muito tempo, acreditava-se que o animal, conhecido cientificamente como Dusicyon australis, fosse uma espécie própria, que teria se separado das raposas sul-americanas há cerca de 16 mil anos. No entanto, novas análises genéticas e arqueológicas indicam que ele era descendente direto do Dusicyon avus, uma espécie domesticada por caçadores-coletores sul-americanos antes mesmo da domesticação dos cães.
“Quando colonos europeus chegaram às praias das Malvinas, encontraram uma criatura de pelagem castanha, semelhante a um lobo, do tamanho de um pequeno labrador”, afirmou o professor Samuel Turvey, pesquisador do Instituto de Zoologia da ZSL e autor principal do estudo, ao IFLScience.
“Assim como o famoso dodô, acreditava-se que milênios de evolução sem predadores haviam gerado um animal completamente destemido diante das pessoas, mas a realidade era mais complexa – e mais trágica.”
Segundo Turvey, “a simpatia que tornou esse canídeo um alvo fácil para caçadores não se devia à falta de contato com humanos, mas ao fato de que ele um dia viveu ao nosso lado”.
O pesquisador destacou ainda que essa descoberta “não é apenas um desfecho comovente para uma história trágica”, mas, também, “muda fundamentalmente nossa compreensão sobre o que levou essa espécie à extinção e tem implicações mais amplas para o estudo de extinções causadas por humanos hoje”.
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