Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 6 de outubro de 2025 · 2 min de leitura ·

“Lobo” das Ilhas Malvinas era raposa domesticada na América do Sul

"Lobo" das Ilhas Malvinas era raposa domesticada na América do Sul

Um novo estudo publicado no Biological Journal of the Linnean Society revelou que o chamado “lobo” das Ilhas Malvinas – considerado o único mamífero nativo do arquipélago – não era um lobo, mas, sim, a última população sobrevivente de uma espécie de raposa domesticada na América do Sul.

Por muito tempo, acreditava-se que o animal, conhecido cientificamente como Dusicyon australis, fosse uma espécie própria, que teria se separado das raposas sul-americanas há cerca de 16 mil anos. No entanto, novas análises genéticas e arqueológicas indicam que ele era descendente direto do Dusicyon avus, uma espécie domesticada por caçadores-coletores sul-americanos antes mesmo da domesticação dos cães.

“Quando colonos europeus chegaram às praias das Malvinas, encontraram uma criatura de pelagem castanha, semelhante a um lobo, do tamanho de um pequeno labrador”, afirmou o professor Samuel Turvey, pesquisador do Instituto de Zoologia da ZSL e autor principal do estudo, ao IFLScience.

“Assim como o famoso dodô, acreditava-se que milênios de evolução sem predadores haviam gerado um animal completamente destemido diante das pessoas, mas a realidade era mais complexa – e mais trágica.”

Segundo Turvey, “a simpatia que tornou esse canídeo um alvo fácil para caçadores não se devia à falta de contato com humanos, mas ao fato de que ele um dia viveu ao nosso lado”.

O pesquisador destacou ainda que essa descoberta “não é apenas um desfecho comovente para uma história trágica”, mas, também, “muda fundamentalmente nossa compreensão sobre o que levou essa espécie à extinção e tem implicações mais amplas para o estudo de extinções causadas por humanos hoje”.

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