
Imagine que a Apple, em meio a uma batalha judicial por patentes, se visse obrigada a ligar para a Samsung, sua maior rival global, para resolver um problema crítico que estivesse ameaçando paralisar ambas as operações. É essa a situação no espaço: a NASA e a Agência Espacial Nacional da China (CNSA) são rivais de longa data e mal podem conversar devido a leis dos EUA que limitam essa interação. No entanto, o risco de uma colisão de satélites forçou as duas potências a um diálogo de emergência.
O perigo de uma colisão de satélites funcionou como um “CEO implacável” – uma força superior que exige resultados, não importa quem seja o concorrente. O resultado foi um diálogo de emergência forçado, obrigando rivais ferrenhos a cooperarem, em um feito sem precedentes e absolutamente crucial na gestão e segurança do tráfego espacial global.
De acordo com o site Space.com, essa aproximação inusitada sinaliza uma mudança importante no protocolo de segurança. Até então, quando havia risco de impacto, o procedimento era conduzido de forma unilateral pelos EUA. A NASA simplesmente alertava os chineses para que ficassem parados e providenciava o desvio.
“Durante anos, se tivéssemos uma conjunção, enviávamos um aviso aos chineses dizendo: ‘Acreditamos que vamos colidir com vocês. Fiquem parados, nós manobraremos ao redor de vocês'”, disse Alvin Drew, diretor de Sustentabilidade Espacial da NASA, durante uma sessão plenária no Congresso Internacional de Astronáutica (IAC) em Sydney, Austrália, em 2 de outubro.
A inversão de papéis aconteceu repentinamente, um dia antes, sendo até celebrada na NASA. Drew então contou que, pela primeira vez na história, a CNSA procurou ativamente os estadunidenses e assumiu o comando. “Detectamos risco de choque entre nossos satélites. Recomendamos que fiquem parados; nós faremos a manobra de desvio”, disse o alerta, marcando o ponto de virada na coordenação espacial.
O aumento de objetos em órbita exige coordenação urgente. Tanto os EUA, liderados pela gigantesca Starlink, da SpaceX, quanto a China, com seus ambiciosos projetos Guowang e Thousand Sails, estão lançando satélites em ritmo vertiginoso.
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