Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 15 de maio de 2025 · 2 min de leitura ·

Maior cemitério de escravizados pode estar em estacionamento na Bahia

Maior cemitério de escravizados pode estar em estacionamento na Bahia

Um cemitério de pessoas escravizadas do século XVIII pode ter sido encontrado no estacionamento da Pupileira, da Santa Casa de Misericórdia da Bahia, em Nazaré. A escavação teve início nesta segunda-feira (14), dia que marca a “Revolta dos Malês“, maior revolta de escravizados da história do Brasil, ocorrida em Salvador (BA). Os trabalhos serão realizados até 22 de maio.

O local foi identificado após extensa pesquisa realizada pela doutoranda Silvana Olivieri, do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

O cemitério pode se constituir num dos maiores acervos de remanescentes humanos de pessoas negras escravizadas das Américas, com mais de 100 mil pessoas sepultadas ao longo de 150 anos. 

A descoberta “reconstrói saberes de um período colonial que ainda abriga muitos silenciamentos e apagamentos históricos”, segundo comunicado da UFBA. A instituição criou comissão para acompanhar e apoiar as iniciativas voltadas para o resgate e a manutenção do cemitério.

Os trabalhos de escavação serão coordenados pela arqueóloga e antropóloga Jeanne Dias. Após a etapa de prospecção arqueológica, a universidade fará reuniões para determinar os próximos passos da pesquisa nas esferas patrimoniais, históricas e espirituais.

No início do mês, o Ministério Público Estadual da Bahia conduziu reunião com líderes de diversas tradições religiosas negras para buscar as melhores formas de reparação espiritual e restituição da dignidade e honra dos milhares de enterrados.

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