
Um cemitério de pessoas escravizadas do século XVIII pode ter sido encontrado no estacionamento da Pupileira, da Santa Casa de Misericórdia da Bahia, em Nazaré. A escavação teve início nesta segunda-feira (14), dia que marca a “Revolta dos Malês“, maior revolta de escravizados da história do Brasil, ocorrida em Salvador (BA). Os trabalhos serão realizados até 22 de maio.
O local foi identificado após extensa pesquisa realizada pela doutoranda Silvana Olivieri, do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
O cemitério pode se constituir num dos maiores acervos de remanescentes humanos de pessoas negras escravizadas das Américas, com mais de 100 mil pessoas sepultadas ao longo de 150 anos.
A descoberta “reconstrói saberes de um período colonial que ainda abriga muitos silenciamentos e apagamentos históricos”, segundo comunicado da UFBA. A instituição criou comissão para acompanhar e apoiar as iniciativas voltadas para o resgate e a manutenção do cemitério.
Os trabalhos de escavação serão coordenados pela arqueóloga e antropóloga Jeanne Dias. Após a etapa de prospecção arqueológica, a universidade fará reuniões para determinar os próximos passos da pesquisa nas esferas patrimoniais, históricas e espirituais.
No início do mês, o Ministério Público Estadual da Bahia conduziu reunião com líderes de diversas tradições religiosas negras para buscar as melhores formas de reparação espiritual e restituição da dignidade e honra dos milhares de enterrados.
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