Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 18 de junho de 2025 · 2 min de leitura ·

Maior estrutura cósmica já observada é descoberta em aglomerado de galáxias

Maior estrutura cósmica já observada é descoberta em aglomerado de galáxias

Um estudo apresentado na 246ª conferência da Sociedade Astronômica Americana, que aconteceu na última semana em Anchorage, Alasca, relata que um aglomerado de galáxias a cinco bilhões de anos-luz da Terra é envolto por uma nuvem de partículas com 20 milhões de anos-luz de extensão. Essa estrutura é considerada a maior já observada desse tipo no Universo.

Publicada em maio na revista científica Astronomy & Astrophysics, a pesquisa foi baseada em dados do observatório espacial de raios-X Chandra, da NASA. Os cientistas perceberam que, diferentemente do esperado, o brilho de rádio não vinha apenas das bordas do aglomerado, mas de toda a sua extensão. Isso indica que um processo desconhecido mantém as partículas altamente energizadas por bilhões de anos.

O artigo, conduzido por cientistas do Centro de Astrofísica Harvard & Smithsonian (CfA), sugere que o fenômeno é causado por ondas de choque gigantescas e pela turbulência do gás quente que preenche o espaço entre as galáxias do aglomerado. Essas condições extremas parecem reenergizar continuamente as partículas. “Estamos começando a enxergar o Universo de formas que antes eram impossíveis”, afirmou o astrônomo Kamlesh Rajpurohit, líder da equipe, em um comunicado.

Batizado de PLCK G287.0+32.9, o aglomerado foi visto pela primeira vez em 2011, pelo satélite Planck, da Agência Espacial Europeia (ESA). Desde então, vem chamando a atenção pelo tamanho impressionante e pela temperatura extremamente alta. Por isso, tornou-se um alvo importante para estudos sobre a formação de grandes estruturas cósmicas.

Pesquisas anteriores já haviam detectado dois pontos brilhantes nas bordas do aglomerado, provocados por ondas de choque que iluminam o gás ao redor. No entanto, as novas observações mostraram algo inédito: todo o aglomerado está brilhando, com um sinal de rádio cerca de 190 vezes mais intenso que o da Via Láctea.

Até então, a maior nuvem de partículas energizadas conhecida era a que envolve o aglomerado Abell 2255, com 16 milhões de anos-luz de extensão (falamos dele aqui). A descoberta de PLCK G287.0+32.9 amplia esse recorde e desafia o entendimento atual sobre esses fenômenos.

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