
Uma equipe de pesquisadores chineses sintetizou em laboratório um material mais duro que o diamante, disputando o título do mineral natural mais resistente da Terra. A descoberta pode abrir caminho para novas aplicações industriais e até revolucionar a ciência dos materiais.
O novo composto é uma versão sintética da lonsdaleíta, um tipo de diamante hexagonal raramente encontrado na natureza. Um artigo publicado este mês na revista Nature Materials detalha como os cientistas conseguiram produzir essa estrutura em laboratório.
A lonsdaleíta é conhecida por se formar em condições extremas, como no impacto de meteoritos. O nome homenageia a cristalógrafa Kathleen Lonsdale, que descobriu suas propriedades. Diferentemente do diamante comum, que tem uma estrutura cúbica, a lonsdaleíta apresenta um arranjo hexagonal,o que a torna ainda mais dura.
A primeira evidência desse material surgiu em 1891, quando cientistas examinaram um meteorito no Arizona, nos EUA. Décadas depois, em 1939, pesquisadores confirmaram que as partículas duras no meteorito eram uma mistura de diamantes, grafite e uma substância até então desconhecida: a lonsdaleíta.
Estudos mais recentes mostraram que o material encontrado nesses meteoritos é, na verdade, uma mistura nanoestruturada de diamantes cúbicos e hexagonais, com camadas semelhantes ao grafeno.
Acredita-se que essa estrutura híbrida se formou devido ao choque extremo gerado pelo impacto do meteorito. Em experimentos laboratoriais, os autores de um artigo de 2022, tentaram recriar esse processo aplicando alta pressão e temperatura ao grafite, um dos alótropos do carbono. O problema era que, junto com a lonsdaleíta, se formavam também grafite e diamantes convencionais, tornando a produção ineficiente.
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