
A busca por fontes limpas e renováveis de energia ganhou um novo e promissor capítulo. Um estudo publicado no Journal of Fluid Mechanics pelo pesquisador Takahito Iida, da Universidade de Osaka, no Japão, propõe uma solução inovadora para um dos maiores desafios da energia oceânica: a ineficiência dos conversores diante da natureza caótica e mutável das ondas.
A resposta, segundo o estudo, pode estar em um dispositivo conhecido como conversor giroscópico de energia das ondas (GWEC). Trata-se de um corpo flutuante equipado internamente com um volante giratório conectado a um gerador. O movimento de precessão do giroscópio — a forma como o objeto em rotação responde a forças externas — é capaz de gerar eletricidade a partir do balanço das ondas, mesmo quando sua direção e intensidade variam constantemente.
Dispositivos de energia das ondas não são uma ideia nova, mas esbarram em um obstáculo fundamental: as condições oceânicas mudam o tempo todo. O que funciona para uma onda de determinada frequência pode se tornar ineficaz minutos depois, quando o padrão se altera. Como resultado, a maioria das tecnologias existentes luta para atingir níveis práticos de eficiência.
A modelagem teórica desenvolvida por Iida ataca exatamente esse ponto. Utilizando a teoria de ondas lineares, o pesquisador calculou as complexas interações entre as ondas, o giroscópio e a estrutura flutuante que o abriga. A partir desses cálculos, foi possível determinar a configuração ideal para o dispositivo.
A principal descoberta é que, ajustando com precisão a velocidade de rotação do volante e a resistência do gerador interno para corresponder às condições das ondas em tempo real, o GWEC pode atingir uma eficiência máxima teórica de 50% — ou seja, converter metade da energia de uma onda em eletricidade.
“Esse limite de eficiência é uma restrição fundamental na teoria da energia das ondas”, explica Iida. “O que é empolgante é que agora sabemos que ele pode ser alcançado em uma ampla faixa de frequências, não apenas em uma única condição de ressonância.”
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