Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 29 de abril de 2026 · 2 min de leitura ·

NASA planeja missão inédita para salvar telescópio com risco de cair na Terra

NASA planeja missão inédita para salvar telescópio com risco de cair na Terra

A NASA prepara uma missão inédita para tentar salvar um telescópio espacial que corre risco de reentrar na atmosfera da Terra. A iniciativa é em parceria com a empresa privada Katalyst e prevê o lançamento de uma espaçonave robótica capaz de se acoplar ao equipamento e levá-lo a uma órbita mais segura.

O alvo da operação é o Observatório Neil Gehrels Swift, lançado em novembro de 2004. Ao longo de duas décadas, o telescópio se tornou uma ferramenta essencial para a observação de explosões de raios gama, um dos fenômenos mais extremos do universo. Mais recentemente, também foi utilizado no estudo do cometa interestelar 3I/ATLAS.

Apesar da importância, o Swift enfrenta um problema: a degradação de sua órbita. O espaço pode até parecer vazio, mas a atmosfera terrestre se estende gradualmente para além da superfície, criando um arrasto que, ao longo do tempo, reduz a velocidade de satélites e os aproxima de volta do nosso planeta. Esse efeito tem sido intensificado pelo atual ciclo de atividade solar, que atingiu seu pico em outubro de 2024, e provoca a expansão da atmosfera superior.

Como consequência, as estimativas da NASA indicavam que, em novembro de 2025, havia 50% de probabilidade de o telescópio reentrar na atmosfera terrestre até junho de 2026, e 90% de chance de isso ocorrer antes de 2027.

Diante desse cenário, a agência espacial destinou US$ 30 milhões à Katalyst para desenvolver uma aeronave capaz de recolocar o teléscopio de volta em órbita e prolongar sua vida útil. A empresa criou o LINK, que está em fase de testes desde 14 de abril no Centro de Voos Espaciais Goddard.

Paralelamente ao desenvolvimento da missão, a equipe do telescópio adotou medidas para reduzir o consumo de energia e minimizar o arrasto atmosférico. Isso incluiu o desligamento de instrumentos e o reposicionamento dos painéis solares, estratégia que já garantiu alguns meses adicionais de operação.

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