Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 14 de maio de 2025 · 2 min de leitura ·

Mina fantasma nos EUA pode virar tesouro de metais raros

Mina fantasma nos EUA pode virar tesouro de metais raros

O que antes era um símbolo de destruição ambiental pode se transformar em fonte estratégica de matéria-prima crítica. Nos Estados Unidos, pesquisadores e empresas estão investindo em novas tecnologias para extrair elementos de terras raras e outros metais valiosos de um local inusitado: a água extremamente ácida e contaminada da cratera Berkeley Pit, no estado de Montana.

A cratera, preenchida com cerca de 190 bilhões de litros de líquido tóxico, é resultado de décadas de mineração descontrolada. Mas, com o avanço de métodos de extração e o aumento da demanda global por minerais essenciais, o que antes era um passivo ambiental passou a ser tratado como um possível ativo estratégico — especialmente para setores como energia, defesa e tecnologia.

Na cidade de Butte, Montana, o processo de extração é baseado em uma técnica desenvolvida por uma equipe da West Virginia University, em parceria com a Virginia Tech e a empresa L3 Process Development. O sistema usa grandes bolsas plásticas preenchidas com lodo, que ao longo do tempo concentram os metais em uma forma bruta que pode ser refinada com solventes.

A cratera Berkeley Pit contém elementos como neodímio e praseodímio, cruciais para a fabricação de imãs potentes usados em veículos elétricos, satélites e mísseis guiados. A expectativa é de que o local produza até 40 toneladas de terras raras por ano, uma contribuição significativa para reduzir a dependência dos EUA das importações — especialmente da China, que domina o mercado global.

A pressão por produção interna de metais estratégicos é cada vez maior. Atualmente, os Estados Unidos possuem apenas uma mina ativa de terras raras, responsável por cerca de 15% da oferta mundial. O Departamento de Defesa tem financiado projetos como o da Berkeley Pit para impulsionar a autonomia em minerais críticos.

Além de neodímio e praseodímio, o local também apresenta zinco, níquel e cobalto. O zinco, em particular, possui valor de mercado alto e pode ajudar a financiar os custos do processo. A tecnologia aplicada também mostrou um diferencial: o método consegue concentrar metais pesados, como disprósio e térbio, ainda mais escassos e valorizados.

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