Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 29 de junho de 2022 · 2 min de leitura ·

Missão DART, da NASA, pode ter um resultado bem diferente do esperado, segundo estudo

Missão DART, da NASA, pode ter um resultado bem diferente do esperado, segundo estudo

Você deve lembrar da missão “DART” (ou “Teste de Redirecionamento de Asteroide Duplo”, na sigla em inglês), lançada pela NASA em novembro de 2021 e cujo objetivo é desviar o asteroide Dimorphos de sua trajetória ao – e não usaremos meias palavras aqui – jogar contra ele uma nave espacial e analisar o que acontecer depois do impacto.

Bem, a expectativa da NASA é a de que uma pequena cratera de cerca de 160 metros de diâmetro. Mas um novo estudo, conduzido pela Universidade de Bern, na Suíça, aponta para uma boa probabilidade de algo relativamente diferente acontecer.

A ideia por trás da missão DART é avaliar as nossas defesas planetárias: há mais de 65 milhões de anos, um asteroide de proporções particularmente grandes bateu contra a Terra, acabando com praticamente todos os dinossauros não aviários e causando uma forte era de gelo no final do chamado Período Cretáceo.

Nos tempos modernos, não há nenhuma ameaça do tipo, mas na eventualidade de um asteroide desgarrado entrar em rota de colisão com o nosso planeta, nós devemos estar preparados para, literalmente e figurativamente, jogar tudo o que temos para cima dele.

O problema: os cálculos feitos pela NASA consideraram que o asteroide Dimorphos – um objeto de natureza binária (uma pedra menor gira em torno de uma pedra maior) – é uma massa rochosa maciça. Dentro dele, a agência americana acredita que não há espaços, mas sim uma peça completa.

O estudo de Bern, no entanto, aponta para uma outra possibilidade que, se confirmada, pode alterar o resultado da missão grandemente: “ao contrário do que alguém imagina quando pensa em um asteroide, evidências diretas de missões espaciais como a sonda Hayabusa2 [da agência espacial japonesa, ou JAXA] demonstraram que asteroides podem ter uma estrutura interna mais dispersa — similar a uma pilha de escombros — e mantida em proximidade por interações da gravidade e outras forças que agem como ‘adesivo’”, disse a autora primária do estudo, Sabina Raducan.

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