Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 3 de outubro de 2025 · 2 min de leitura ·

Mistério para a expansão do Universo pode ter resposta mais simples do que parece

Mistério para a expansão do Universo pode ter resposta mais simples do que parece

Um estudo publicado recentemente na revista Galaxies propõe uma nova explicação para a expansão acelerada do Universo. Segundo os autores, a matéria escura e a energia escura podem ser apenas ilusões criadas por variações nas forças fundamentais da natureza, como a gravidade e o eletromagnetismo.

Observações levaram à ideia mais aceita entre os cientistas de que o Universo vem se expandindo desde o Big Bang. Há cerca de cinco a seis bilhões de anos, porém, essa expansão começou a acelerar. Para explicar o fenômeno, a cosmologia atual recorre à chamada energia escura. Já os movimentos anômalos das galáxias e grandes estruturas cósmicas são atribuídos à matéria escura, uma forma invisível de matéria que interage apenas pela gravidade.

O problema é que, mesmo com décadas de pesquisas, nenhuma dessas duas entidades foi observada diretamente. Sua existência é inferida apenas por efeitos gravitacionais, como a rotação das galáxias e as lentes gravitacionais. Essa falta de evidência direta mantém abertas as portas para hipóteses alternativas sobre o funcionamento do Universo.

O novo estudo, liderado pelo físico Rajendra Gupta, da Universidade de Ottawa, no Canadá, sugere uma alternativa ousada. Segundo o astrônomo, não é necessário imaginar partículas invisíveis ou forças misteriosas. Em sua visão, a intensidade das forças fundamentais pode mudar ao longo do tempo, criando a impressão de que algo desconhecido atua no cosmos. Isso abriria uma nova forma de interpretar os mesmos dados que hoje sustentam as teorias da matéria e energia escuras.

Para Gupta, à medida que o Universo se expande, suas forças enfraquecem. Isso dá a impressão de que uma energia invisível acelera sua expansão. Já em escalas menores, como galáxias ou aglomerados, essa variação gera um efeito de gravidade extra. O fenômeno seria interpretado como matéria escura, mas na verdade resultaria apenas das chamadas “constantes de acoplamento covariantes” (CCC).

Essas constantes representam a força da gravidade, do eletromagnetismo e de outras interações. Em um comunicado, Gupta explica que elas não são fixas em todo o espaço, mas variam de acordo com a quantidade de matéria presente em cada região. Em áreas densas, sua contribuição é menor; em regiões vazias, é maior. Essa diferença poderia explicar tanto as curvas de rotação das galáxias quanto a aceleração cósmica sem recorrer a elementos invisíveis.

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