
Escrevo, neste momento, da Zona Norte da cidade de São Paulo. O relógio marca 9h e, mesmo de manhã, o termômetro já aponta para os 25ºC. O verão já acabou há algumas semanas, mas estamos no meio de uma nova onda de calor. A previsão é que a temperatura chegue aos 32ºC hoje. A 34ºC na terça-feira da semana que vem. Todos os dias ficarão acima dos 30ºC.
Esse relato poderia ter sido feito em várias outras regiões do Brasil. E em outros meses. Sofremos há um bom tempo com ondas de calor, que têm sido cada vez mais frequentes. Eu, que tenho 35 anos, não me lembro de nenhuma outra vez na vida de ter lido tantas notícias sobre o assunto. Por tantos meses seguidos.
Por vivermos aqui, as informações a que temos acesso dizem respeito, principalmente, ao Brasil ou à região onde moramos. O fenômeno, no entanto, é global.
E se eu te disser que a situação é ainda pior em outro continente? Sim, o Brasil e a América do Sul sofrem com os efeitos do El Niño, da La Niña e das mudanças climáticas de uma maneira geral. Mas quem lidera as estatísticas é a Europa.
A Europa é o continente de aquecimento mais acelerado, e suas temperaturas aumentam quase o dobro da velocidade média global. É o que aponta um relatório divulgado na última segunda-feira (22) por duas das principais organizações de monitoramento climático do mundo: a OMM (Organização Meteorológica Mundial), pertencente à ONU, e o Observatório Copernicus, a agência climática da UE (União Europeia).
As médias dos últimos cinco anos revelam que as temperaturas atuais na Europa estão 2,3ºC acima dos níveis pré-industriais. No mesmo período, o aumento médio global ficou em 1,3ºC.
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